Esquema que movimentou R$520 milhões com "falso leilão" é alvo de operação em vários estados do país
Grupo investigado por golpes online e lavagem de dinheiro teve mandados cumpridos em SP; mais de 250 vítimas foram identificadas.
Seis mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão foram cumpridos nessa quinta-feira (26) contra uma organização criminosa suspeita de aplicar golpes virtuais do tipo “falso leilão” e movimentar cerca de R$520 milhões. A ação faz parte da terceira fase da operação “Martelo Virtual”, que teve origem em investigações iniciadas em Frutal, no Triângulo Mineiro.
As apurações começaram em 2023 e apontam que o grupo atuava de forma estruturada em estados como São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro.
O esquema consistia na criação de sites falsos que simulavam leilões de veículos. Após a suposta arrematação, as vítimas eram induzidas a realizar pagamentos, geralmente via Pix, sem receber os bens. Mais de 250 pessoas teriam sido vítimas apenas no último ano.
Nesta fase, os mandados foram cumpridos em cidades paulistas, como São Paulo, Santo André, Boituva e São Caetano do Sul. Durante as ações, foram apreendidos celulares, documentos, veículos e outros materiais que serão analisados.
No balanço das três fases da operação, 56 pessoas foram investigadas, com 36 mandados de prisão preventiva e 77 de busca e apreensão expedidos. Também foram identificadas mais de 30 empresas utilizadas para lavagem de dinheiro.
A Justiça autorizou o bloqueio de até R$260 milhões em bens, sendo cerca de R$40,9 milhões já efetivamente bloqueados, entre valores em contas, imóveis e veículos.
As investigações também apontaram possíveis ligações de suspeitos com integrantes do Primeiro Comando da Capital e com alvos de outras operações. O caso segue em apuração.
O Ministério Público já denunciou parte dos investigados por crimes como organização criminosa, estelionato eletrônico e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, o grupo atuou de forma estruturada entre 2021 e 2025, utilizando empresas de fachada e contas de terceiros para ocultar a origem dos recursos.
A operação foi conduzida pelo Ministério Público de Minas Gerais e pela Polícia Civil de Minas Gerais, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.