Condenados pelo caso Gerson Brenner cumprem penas em presídios em SP
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os três condenados pelo crime que deixou o ator Gerson Brenner em estado grave e com sequelas, em agosto de 1998, cumprem penas em penitenciárias no interior de São Paulo. Dois estão em regime semiaberto e um segue no fechado.
O ator morreu aos 66 anos na segunda-feira (23). Ele estava internado no hospital São Luiz, no Itaim Bibi, em São Paulo.
Brenner foi atingido por um tiro na cabeça durante tentativa de assalto enquanto trocava o pneu do carro em viagem de São Paulo ao Rio de Janeiro. O crime ocorreu no quilômetro 13,9 da SP-060, que liga a rodovia Ayrton Senna à via Dutra, em Guararema (SP). Na época, o ator estava no ar na TV Globo como o fazendeiro Jorginho de "Corpo Dourado".
O ferimento causou danos cerebrais e o ator viveu por 28 anos com sequelas cognitivas e motoras.
Vitor Tancredo, condenado a 57 anos de prisão, está na Penitenciária de Tupi Paulista em regime fechado. Na época, ele denunciou outros dois envolvidos no crime, Luzimar Sabino dos Santos e Dimas Almeida Batista, que cumprem, respectivamente, penas em regime semiaberto na penitenciária de Taiúva e no Centro de Progressão Penitenciária de Mongaguá.
A defesa de Tancredo fez pedido de progressão de pena para o semiaberto em 2023 e alegou que o lapso temporal para o benefício foi atingido em fevereiro de 2018. A Justiça negou o pedido.
A reportagem procurou a advogada de Tancredo por email na tarde desta quinta-feira (26), mas não recebeu resposta até a publicação deste texto.
Batista foi condenado a 31 anos de prisão em regime fechado e fugiu em 2018. Recapturado, ele progrediu para o semiaberto em 2020, quando foi preso em regime fechado novamente por tráfico de drogas. Cumpre pena no semiaberto desde abril de 2024.
Condenado a 20 anos de prisão, Santos fugiu da penitenciária Itirapina, em 2010, e ficou foragido por cerca de dois meses até ser preso novamente após denúncia anônima. Ele foi solto em 2017 e está preso atualmente aguardando julgamento sob acusação de homicídio e estupro.
Batista e Santos são representados pela Defensoria Pública, que também foi procurada sobre os casos nesta quinta e não respondeu.
Na época, as investigações apontaram que Tancredo participava de uma quadrilha que praticava roubos nas estradas da região. Ele negou as acusações e informou às autoridades, em depoimento, que teria participado pela primeira vez desse tipo de roubo na madrugada em que o ator foi baleado.
Ele disse que foi convidado por Batista no dia anterior, mas não aceitou porque queria sair para namorar. No dia seguinte, segundo as investigações, aceitou e se comprometeu a colocar as pedras na rodovia para forçar as vítimas a pararem e descerem do carro e, assim, caírem na emboscada.
Tancredo disse que o ator passou pelo local e parou poucos metros depois. A abordagem teria sido feita por Santos, que se aproximou do ator enquanto ele trocava um pneu. Segundo depoimento de Tancredo à polícia, Brenner reagiu e começou a lutar com Santos. Após o disparo, os três fugiram sem levar nada.