Primeira parte do retrofit da estação Pinheiros do metrô de SP está pronta
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No sobe e desce de um piso para o outro as mudanças podem não chamar a atenção no meio da multidão. Mas muita coisa está diferente em uma das principais paradas de metrô da zona oeste de São Paulo. A primeira parte das reformas da estação Pinheiros, da linha 4-amarela, está praticamente pronta e deverá ser entregue no próximo dia 16 de abril.
A estação Faria Lima, da mesma linha e vizinha, também está em obras e tem promessa de entrega na mesma data.
No caso da Pinheiros, o retrofit na estação, que começou há cerca de seis meses, foi dividido em duas partes. Na que está sendo concluída agora houve mudança nas cores das paredes, troca de iluminação e melhoria na sinalização, entre outros, com a proposta de dar mais conforto às cerca de 115 mil pessoas que passam, em média, diariamente pelo local.
Na segunda fase, prevista para ser entregue em novembro, será construído uma espécie lounge com café e local de convivência externa.
Ao todo, a obra custará cerca de R$ 35 milhões. Na Faria Lima, o custo estimado é de R$ 24 milhões.
As 11 estações da linha 4 amarela passarão por reformas. O projeto para as nove paradas que faltam está em fase de autorizações e a expectativa é que tudo seja entregue em até dois anos.
"A estação está mais clara, menos confusa", diz Maurício Tortosa, diretor de experiência ao cliente da Motiva, concessionária responsável pela gestão da linha.
As mudanças podem não ser perceptíveis ao primeiro olhar. É o caso da aposentada Florípedes Santana Cruz, 72. Voltando de uma consulta médica para casa, ela esperava o metrô sentada em um dos bancos na plataforma, quando foi questionada pela reportagem sobre o mobiliário ?que foi trocado por ser mais anatômico? e sobre a palavra Pinheiros grafada em letras garrafais na parede às suas costas.
"Não sabia que tinham aumentado as letras do nome da estação, mas isso é bom para gente idosa como eu", afirma.
Segundo Tortosa, o retrofit foi feito a partir da opinião de passageiros entrevistados em pesquisas. O nome estampado em grandes letras na parede foi um desses pedidos, para que estação seja mais facilmente identificada por quem está dentro do trem.
Números dos cinco andares da estação também estão melhor visualizados nas paredes (e maiores). Houve até mudança nos botões do elevador para facilitar a identificação.
Os boxes de comércios e prestadores de serviços agora são padronizados. Com madeira sustentável na parte externa, estão distribuídos em três tamanhos.
Por indicação na pesquisa, uma farmácia terminava de ser montada na tarde desta quinta-feira (26), quando a reportagem andou pela estação. Também será instalada uma clínica para realização de exames médicos. Os passageiros ainda pediram academia de ginástica e faculdade, o que ainda não foi confirmado.
A distribuição de cores, troca de iluminação que antes usava lâmpadas comuns por modelos de LED, além das novas sinalizações tendem a suavizar o caminho de quem chega ou sai dos trens. "As intervenções focam na funcionalidade e na clareza informativa", diz o executivo.
Um mosaico de lustres no teto pode mudar de cor para incentivar campanhas temáticas, como Maio Amarelo (trânsito) ou Outubro Rosa (conscientização sobre câncer de mama).
Nas plataformas, as paredes foram cobertas com placas na cor cinza metálico. Painéis publicitários e máquinas de vendas automáticas acabaram retirados.
Se de um lado, o projeto arquitetônico buscou preservar a "identidade brutalista" das duas estações em reforma, o amarelo que dá nome à linha ganhou mais espaço.
Quem sobe ou desce as escadas pode observar que nas enormes paredes o amarelo da plataforma de embarque do metrô, a mais de 30 metros de profundidade, muda gradualmente em tons degradê para o verde da linha 9-esmeralda do trem metropolitano, no térreo ?há integração na estação.
As telas informativas na plataforma de embarque foram trocadas por modelos mais modernos e reposicionadas para facilitar a visualização. Há outros grandes telões eletrônicos espalhados pela estação.
"Não adianta nada pintar a parede se o trem ali atrasar, o que já vi acontecer aqui", afirma o pedreiro Luciano da Silva, 28, sobre a informação no monitor acima dele, de que o próximo metrô iria passar em pouco mais de dois minutos ?a composição chegou no horário marcado.