Redução de pressão da água é mantida em 10 horas na Grande São Paulo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) decidiu na última quarta (25) manter restrições para o abastecimento de água em São Paulo e região metropolitana que vigoram desde agosto do ano passado, mantendo em 10 horas diárias o período de redução de pressão. As medidas completam sete meses nesta sexta-feira (27).
A deliberação veio a partir de recomendação do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica, integrado por Arsesp e pela SP Águas, a partir de recomendações sobre as condições do Sistema Integrado Metropolitano --que abastece a capital e a Grande São Paulo.
Segundo a gestão estadual, a medida "considera a necessidade de preservação dos níveis dos reservatórios diante do período seco, além do desempenho hidrológico ainda abaixo do ideal em sistemas estratégicos".
A decisão anunciada nesta sexta (27) ocorre no mesmo dia em que os níveis do Sistema Integrado Metropolitano completam 14 dias de estabilidade em faixa que permitiria o fim da redução na pressão da água, que ocorre todos os dias das 19h às 5h.
A maior preocupação se volta ao sistema Cantareira, responsável por cerca de 50% do sistema metropolitano e cujo volume continua inferior na comparação com a série histórica.
O armazenamento do Cantareira nesta sexta-feira está em 44% de sua capacidade. Em 27 de março do ano passado, por sua vez, o volume somava 58,1%, e em 2024 eram 77%. Isso, de acordo com a Arsesp, já sinaliza a necessidade de se manter as restrições.
O sistema vem se recuperando nos últimos meses após atingir níveis críticos entre o final do ano passado, quando sua capacidade estava em 20,2%, e o início de 2026 (22,7%).
As chuvas de fevereiro favoreceram o Cantareira, cujo volume armazenado subiu a 35,8% --nível considerado ainda alarmante, de acordo com o governo estadual. Sem previsão de grandes chuvas para o mês de abril, restou à Arsesp manter as restrições a título preventivo, segundo a agência.
A agência reguladora afirma que avalia aprimorar a metodologia de acompanhamento da crise hídrica para o Sistema Integrado Metropolitano, mas ainda não há uma definição sobre o que deverá ser feito nem sobre quando ele ficará pronto, segundo a Arsesp.
A restrição sobre o abastecimento permanece vigente até que isso seja concluído.
FAIXAS DE ATUAÇÃO DA ARSESP NO SIM
- Faixa de normalidade - 100% a 57,9%
- Faixa 1 - 57,08% a 51,09%
- Faixa 2 - 51,08% a 45,09%
- Faixa 3 - 45,08% a 39,09%
- Faixa 4 - 39,09% a 33,09%
- Faixa 5 - 33,08% a 23,09%
- Faixa 6 - 23,08% a 13,09%
- Faixa 7 - Abaixo de 13,09%
Fonte: Arsesp
Diretor-presidente da agência reguladora, Diego Allan Vieira Domingues disse à Folha de S.Paulo nesta sexta-feira que a manutenção das restrições tem caráter preventivo.
O propósito do comitê, de acordo com ele, é justamente projetar cenários futuros e recomendar medidas que evitem eventuais restrições ainda maiores.
"Exatamente por isso se recomendou a manutenção da Gestão de Demanda Noturna em dez horas. É para que a gente evite ao máximo um cenário pior", diz.
Desde que foi implementada, afirma o Governo do Estado, a restrição à vazão de água na região metropolitana permitiu a economia de 115 bilhões de litros de água, volume que "equivale ao consumo mensal das cidades de São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Mauá e Cotia, juntas".