Laudo aponta bactérias em alimentos de pizzaria após mais de cem passarem mal na Paraíba

Por BRUNA FANTTI

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba apontou elevada concentração de bactérias em alimentos da pizzaria La Favorita, investigada por um surto de intoxicação alimentar em Pombal, no sertão paraibano. Uma mulher morreu e 118 pessoas precisaram de atendimento médico após ingerir alimentos preparados no local.

Entre os microrganismos identificados estão Staphylococcus aureus e Escherichia coli, segundo relatório apresentado neste sábado (28) pelo secretário estadual de Saúde da Paraíba, Ari Reis.

A defesa da pizzaria afirma que ainda não foi notificada do resultado do laudo e questiona as condições da amostra coletada.

Foram analisadas sete amostras, incluindo materiais biológicos de pacientes e alimentos coletados no estabelecimento, como pizzas, molhos e carnes. Nos exames biológicos, não foram detectadas bactérias patogênicas (que causam doenças). Já nas amostras de alimentos, foi constatada alta presença dos microrganismos.

Segundo os peritos, as bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli podem existir naturalmente no corpo humano e no ambiente, mas, quando presentes em alimentos, são capazes de causar intoxicação. A ingestão pode provocar sintomas como náuseas, vômitos, diarreia e dores abdominais, podendo evoluir, em casos mais graves, para desidratação e outras complicações, especialmente quando há grande concentração ou produção de toxinas.

A principal hipótese é que a contaminação tenha ocorrido devido a falhas no manuseio dos alimentos, favorecendo a proliferação bacteriana, aponta o laudo. A confirmação de como se deu a contaminação, no entanto, depende da conclusão de outros exames conduzidos por órgãos envolvidos na investigação.

Embora os microrganismos possam provocar sintomas compatíveis com os registrados, é necessário verificar a presença de toxinas bacterianas no organismo das vítimas. Para isso, amostras serão encaminhadas para análise em um laboratório fora do estado, com prazo estimado de até 15 dias úteis para conclusão.

A advogada Raquel Dantas de Assis Ferreira, responsável pela defesa da pizzaria, contesta a qualidade das amostras analisadas.

"Esse resultado em específico, sabemos que se trata de um pedaço de pizza (restos) apreendidos durante o dia 16, segunda-feira, às 16h, ou seja, quase 24h após o preparado da pizza. Para além disso, esse "pedaço" estava em temperatura ambiente, ou seja, totalmente fora dos padrões para uma verificação exata e correta", afirmou, em nota.

"Sabemos que a pizza é um alimento altamente perecível. Dessa forma, não é possível confirmar se esse pedaço de pizza fora contaminado nas dependências da pizzaria ou não. Seguimos aguardando as investigações por parte da Polícia Civil", acrescentou.

A reportagem questionou, na noite deste sábado, a Secretaria de Saúde estadual e a Polícia Civil a respeito das críticas feitas pela defesa do dono da pizzaria e aguarda posicionamento.

Enquanto aguarda os resultados finais, o dono da pizzaria disse, em vídeo divulgado no último dia (17), que não sabe o que pode ter provocado os possíveis casos de intoxicação alimentar.

"Estou sem acreditar também, não sei o que aconteceu. Eu mesmo entrei em contato com a Vigilância Sanitária e convidei eles para fazer a fiscalização e me derem respostas do que ocorreu", disse o empresário Marcos Antônio, 24. Ele já prestou depoimento para a polícia, assim como algumas das pessoas que passaram mal.

A pizzaria foi interditada pela Vigilância Sanitária municipal após inspeção, que identificou problemas como a presença de insetos e armazenamento inadequado de alimentos.

A advogada disse, na ocasião, que não foram identificados alimentos vencidos ou estragados que indicassem a origem da contaminação durante uma inspeção inicial.

Segundo ela, a interdição da pizzaria ocorreu por questões estruturais, como ausência de revestimento em paredes e irregularidades em instalações elétricas.