Se for expulso da PM, tenente-coronel do caso Gisele vai para presídio comum?
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente pela morte da esposa, pode ser transferido para um presídio comum caso seja expulso da Polícia Militar de São Paulo.
A PM abriu um processo administrativo para decidir sobre a expulsão do oficial. A Secretaria de Segurança Pública afirma que o inquérito está no fim e o Comando-Geral vai avaliar a perda da patente.
A transferência para uma penitenciária comum depende de decisão do Tribunal de Justiça Militar. A mudança não é automática e só ocorre se o tribunal determinar a perda do posto, o que corta o salário.
A lei garante proteção especial para agentes de segurança no sistema prisional comum. Caso seja transferido, o ex-policial deve ficar em alas reservadas ou setores isolados para garantir sua segurança física, conforme a lei.
Especialistas alertam para o risco à vida do ex-militar em unidades comuns. O advogado Flavio Grossi avalia que a mudança exige cautela.
INVESTIGAÇÃO APONTA FEMINICÍDIO
O tenente-coronel virou réu por feminicídio e fraude processual pela morte da soldado Gisele Alves Santana. O crime aconteceu em fevereiro, no Brás, e a investigação aponta que a cena foi manipulada para simular suicídio.
Exames constataram lesões no corpo da vítima incompatíveis com suicídio. A perícia apontou marcas provocadas por pressão de unhas, e a mãe da soldado afirmou que o relacionamento era abusivo e cheio de proibições.
DEFESA NEGA CRIME
O advogado do tenente-coronel criticou a manutenção da prisão preventiva. Eugênio Malavasi afirmou estar estarrecido com a decisão das justiças comum e militar e sustenta que o cliente colabora com as autoridades desde o início.
Geraldo Leite Rosa Neto negou ter matado a esposa e afirmou ter a consciência tranquila. Em entrevista, o oficial disse que sofre ataques baseados em inverdades e alegou que encontrou a mulher ferida no chão.
EM CASO DE VIOLÊNCIA, DENUNCIE
Denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas por dia, inclusive no exterior. A ligação é gratuita.
O serviço recebe denúncias, oferece orientação especializada e encaminha vítimas para serviços de proteção e atendimento psicológico.
Também é possível entrar em contato pelo WhatsApp (61) 99656-5008.
As denúncias também podem ser feitas pelo Disque 100, canal voltado a violações de direitos humanos.
Há ainda o aplicativo Direitos Humanos Brasil e a página da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH).
Caso esteja em situação de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas de urgência, previstas na Lei Maria da Penha.