Faculdade de Educação da USP pede adiamento da votação do bônus a docentes
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Congregação da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo) propôs que seja adiada a votação da proposta da reitoria de conceder uma bonificação aos docentes da instituição. O órgão defende que não houve tempo nem foram disponibilizadas informações suficientes para avaliação da proposta.
Pouco mais de três meses após assumir a reitoria da universidade, Aluísio Segurado apresentou um plano para oferecer um acréscimo de R$ 4.500 nos vencimentos de professores que propuserem atividades extras ?por exemplo, ministrar uma disciplina noutro idioma ou oferecer cursos de extensão.
A proposta deve ser votada no Conselho Universitário na tarde desta terça-feira (31). Os funcionários técnico-administrativos, que não serão contemplados pela bonificação, estão em paralisação nesta terça. Eles também já aprovaram indicativo de greve.
A Folha de S.Paulo procurou por telefone a reitoria da USP e o próprio reitor na manhã desta terça para comentar sobre a paralisação, mas não recebeu respostas até a publicação da reportagem.
Funcionários classificam a proposta de elitista e afirmam que, enquanto os docentes recebem benefícios, outras pautas são negligenciadas. Também criticam o fato de a proposta ser apresentada durante a campanha salarial, que historicamente ocorre em conjunto entre servidores e docentes das três universidades estaduais paulistas (com Unesp e Unicamp).
"Queremos tratamento isonômico entre funcionários e professores. Não podemos aceitar R$ 4.500 para eles e nada para nós e para o restante da comunidade universitária", diz, em comunicado, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo).
A Congregação da Faculdade de Educação, um colegiado formado por docentes, servidores e alunos da unidade, defende que não há detalhes sobre os critérios do edital para selecionar as atividades extras que serão contempladas para a bonificação.
Chamado Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), esse pagamento seria mensal, em parcelas fixas e irreajustáveis, por até 24 meses. Só poderiam ser contemplados os funcionários que trabalham em período integral na instituição.
No documento enviado ao órgão máximo da instituição, a reitoria justifica sua criação pela "necessidade de valorização das atividades e da carreira dos servidores docentes". A Coordenadoria de Administração Geral da universidade estima que o custo total do programa será de R$ 238,44 milhões por ano.