Saiba quem foi João Carlos Di Genio, cuja herança bilionária foi alvo de tentativa de golpe
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - João Carlos Di Genio, morto em fevereiro de 2022, deixou patrimônio bilionário, que é alvo de disputa judicial. Ele é fundador do Objetivo e da Unip.
Di Genio, nascido em Lavínia, no interior de São Paulo, foi aprovado em primeiro lugar em duas faculdades de medicina. Ainda durante a formação, ele dava aulas de física em um curso pré-vestibular no Cescem (Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas).
Em dezembro de 1965, ele e outros colegas e professores da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), incluindo o médico Drauzio Varella, colunista da Folha de S.Paulo, decidiram abrir o próprio cursinho, chamado de Objetivo. Di Genio tornou-se médico, mas, por causa do sucesso dos alunos nos vestibulares para medicina, resolveu seguir como professor.
O sucesso na educação foi rápido. Em 1971, foi fundado o Colégio Objetivo e, no ano seguinte, as faculdades Objetivo. Em 1988, elas se transformaram na Unip.
Nas décadas de 1970 e 1980 foi criado um centro de pesquisa e tecnologia e o Programa Objetivo de Incentivo ao Talento (Poit), com cursos de robótica, arte e criatividade para crianças, e um teatro-laboratório para unir palco e conhecimento científico.
Di Genio morreu de causas naturais, em sua casa nos Jardins, na zona oeste de São Paulo, em 12 de fevereiro de 2022, aos 82 anos.
Na época Drauzio afirmou à Folha de S.Paulo que o amigo era inovador. "Ele fez coisas importantes, por exemplo, quando tínhamos o cursinho fomos os primeiros a colocar televisão em sala de aula. Estamos falando do começo dos anos 1970. Muito ativo, conseguiu organizar faculdades em pontos diferentes do país."
"Nós tínhamos sonhos grandiosos de uma escola maravilhosa, revolucionar a educação do Brasil, acabar com o analfabetismo. Tínhamos essas pretensões meio utópicas, mas que empurravam a gente para a frente", disse Drauzio.
Na manhã desta terça-feira (31), uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil buscou suspeitos de usado uma assinatura falsa de Di Genio para simular um contrato de compra e venda de imóveis.
OPERAÇÃO MIRA GRUPO QUE TENTOU GOLPE DE R$ 845 MI CONTRA ESPÓLIO
Segundo a Promotoria, os suspeitos teriam usado uma assinatura falsa de Di Genio para simular um contrato de compra e venda de imóveis. O documento tem data de três meses antes da morte do empresário.
O esquema, descrito como altamente sofisticado pelos investigadores, envolvia a falsificação de documentos e a simulação de um procedimento arbitral para criar uma dívida inexistente dentro do inventário. A cobrança teria começado em cerca de R$ 635 milhões e foi posteriormente inflada para mais de R$ 845 milhões pelos próprios investigados.
Nove suspeitos são investigados pelos crimes de fraude processual, falsificação de documentos, estelionato, entre outros. A Justiça também determinou o sequestro e bloqueio de bens e ativos financeiros do grupo.
Em nota, a viúva do empresário, Sandra Rejane Gomes Miessa, declarou nesta terça ter tomado conhecimento da operação e disse que "tais fatos, que podem caracterizar crimes, foram devidamente comunicados às autoridades competentes, com todas as provas até então disponíveis". Afirmou também ter confiança nos trabalho das autoridades "para cabal elucidação dos fatos e responsabilização dos envolvidos".
Procurado pela manhã, o grupo Unip-Objetivo afirmou que se manifestaria ainda nesta terça-feira.