Mãe que confessou morte de bebê em AL é solta e responderá em liberdade

Por CARLOS MADEIRO E LUANA TAKAHASHI

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Eduarda Silva de Oliveira, que confessou ter matado a própria filha recém-nascida em Novo Lino (AL), foi solta e responderá pelo crime em liberdade. A informação é da defesa dela.

A mulher foi solta na última sexta-feira. A decisão foi informada nesta manhã ao UOL pela defesa dela, enquanto o Tribunal de Justiça ainda não se pronunciou devido ao segredo de justiça do processo.

Eduarda estava presa desde abril de 2025 na colônia penal feminina de Maceió. Um dos advogados dela, Josenildo Menezes, disse que no início deste ano fez um pedido de revogação da prisão preventiva da cliente, mas que foi negado pelo juiz na época.

Eduarda não precisará ficar presa a domicílio ou sendo monitorada por tornozeleira eletrônica. Segundo a defesa dela, a única restrição imposta é que ela não saia da cidade onde mora sem autorização judicial.

Justiça deve decidir ainda se a mulher passará por Tribunal do Júri. Ainda de acordo com Menezes, próximas movimentações devem ocorrer depois que Eduarda for submetida a uma avaliação de sanidade mental, solicitada pela própria defesa.

O corpo de Ana Beatriz, de 15 dias, estava escondido em uma sacola plástica, junto a um sabão, e guardado em um armário com produtos de limpeza. Foi a própria mãe que indicou o local onde estava o cadáver, no quintal da casa dela, em abril do ano passado. Advogado e familiares foram junto à residência, que estava com mau cheiro, e confirmaram que era a bebê.

Dias após o desaparecimento, mulher confessou que assassinou a própria filha e foi presa. Ela falou à polícia que asfixiou a filha com um travesseiro. Segundo o delegado Igor Diego, da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado, Eduarda explicou que a menina passou duas noites sem dormir, chorando sem parar e com dor na barriga. "Ela não teria aguentado a situação, teria pegado um travesseiro e asfixiou a criança", disse.

Antes de confessar, Eduarda deu várias versões diferentes para o sumiço de Ana Beatriz. Primeiro, disse que a criança havia sido levada por criminosos em uma abordagem na BR-101. Depois, mudou o relato ao menos quatro vezes e passou a ser considerada suspeita.

O pai da menina, Jaelson da Silva Souza, estava em São Paulo quando soube da notícia. Em um vídeo divulgado pelo Balanço Geral, da TV Record, ele relata que está há um mês fora e ainda não tinha conhecido a filha.

O caso causou comoção em Alagoas. Populares se reuniram em correntes de oração para que Ana fosse encontrada. A denúncia também mobilizou dezenas de policiais, que iniciaram de imediato uma grande busca na região para encontrar Ana Beatriz. O secretário de Segurança Pública, Flávio Saraiva, acompanhou pessoalmente as buscas.

COMO DENUNCIAR VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Denúncias sobre violência contra crianças e adolescentes podem ser feitas pelo Disque 100 (inclusive de forma anônima), na delegacia de polícia mais próxima e no Conselho Tutelar de cada município.

Se for um caso de violência que a pessoa estiver presenciando, pode ligar no 190, da Polícia Militar, para uma viatura ir no local. Também é possível se dirigir ao Fórum da Cidade e procurar a Promotoria da Infância e Juventude.

Quem não denuncia situações de perigo, abandono e violência contra crianças e adolescentes pode responder pelo crime de omissão de socorro, previsto no Código Penal. A lei Henry Borel também prevê punições pra quem se omite.

Funcionários públicos que se omitem no exercício de seus cargos, em escolas, postos de saúde e serviços de assistência social, entre outros, podem responder por crime de prevaricação.