Gravidade da Lua passa a exercer atração mais forte sobre a Orion do que a da Terra
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Artemis 2 atingiu, na madrugada desta segunda (6), o ponto no qual a gravidade lunar exerce uma atração maior sobre a cápsula Orion do que a gravidade da Terra. O momento antecede o sobrevoo da superfície da Lua, previsto para o período da tarde.
A espaçonave utilizará a gravidade lunar para ganhar impulso em direção ao sobrevoo.
"Estamos extremamente animados", afirmou Lori Glaze, administradora associada adjunta da Missão de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração da Nasa, em uma entrevista coletiva neste domingo.
"Nossas equipes de operações de voo e científica estão prontas para o primeiro sobrevoo lunar em mais de 50 anos."
Durante o período do sobrevoo, que se estenderá por cerca de seis horas, a tripulação poderá observar o corpo celeste a olho nu. Viajam na cápsula Orion os americanos Reid Wiseman, 50, Victor Glover, 49, Christina Koch, 47, e o canadense Jeremy Hansen, 50.
"Acho importante lembrar que nem sempre sabemos exatamente o que eles vão ver", disse Kelsey Young, cientista-chefe da missão.
Os astronautas terão como tarefa fotografar e descrever características das formações lunares, a exemplo da bacia Oriental, e antigos fluxos de lava. O controle da missão indicará a eles as formações geológicas que estarão visíveis durante o sobrevoo. As informações colhidas, segundo a Nasa, podem vir a subsidiar pesquisas sobre a superfície do satélite.
"Ao observarem os mesmos alvos mais de uma vez durante o sobrevoo, eles poderão fazer observações sobre o mesmo alvo em diferentes condições de iluminação que levariam dias, meses, semanas ou anos para algumas espaçonaves acumularem", afirmou Kelsey, em uma entrevista concedida no sábado (4).
A tripulação também deve ter a oportunidade de ver cerca de 20% do lado oculto (nunca visível da Terra e também chamado de lado afastado).
Nas viagens do programa Apollo, os astronautas passaram a 112 quilômetros do solo lunar, pouco mais que a distância da cidade de São Paulo até Campinas, no interior paulista.
A Orion, por sua vez, voará a cerca de 6.500 quilômetros da superfície lunar no ponto de maior aproximação, segundo o plano da Nasa. Essa distância deve permitir que os astronautas apreciem o disco inteiro do satélite, de polo a polo.
De acordo com a agência, a Lua aparecerá para os astronautas com o tamanho equivalente ao de uma bola de basquete segurada com braço estendido.
Quando o sobrevoo estiver chegando ao fim, é esperado que os astronautas presenciem um eclipse solar. A Orion, a Lua e o Sol devem se alinhar, fazendo com que a estrela se posicione atrás da Lua por um intervalo estimado de uma hora, segundo a Nasa.
Ainda em meio à passagem pelo lado oculto da Lua, haverá um apagão. Ao longo de 40 minutos, os sinais de rádio devem cair. Mas isso é esperado, diz a Nasa, e também foi visto nas missões Artemis 1, no fim de 2022, e do programa Apollo.
Se tudo sair como planejado, durante o sobrevoo os astronautas devem bater um recorde: os seres humanos a atingir a maior distância do nosso planeta. A previsão é que eles fiquem a cerca de 406 mil quilômetros da Terra, em torno de 6.000 km a mais que os 400 mil quilômetros registrados pela Apollo 13, em abril de 1970.
A Artemis 2 começou na última quarta-feira (1º). A estimativa é que a missão dure dez dias, com o retorno dos astronautas à Terra na próxima sexta-feira (10). Um dos principais objetivos da viagem é conduzir testes nos sistemas de suporte à vida da Orion.
Com a viagem da Artemis 2, a Nasa saberá se a cápsula poderá levar tripulações futuramente em novas missões -entre as quais a Artemis 4, que prevê um pouso na Lua- e também fazer eventuais correções necessárias.