Indígenas marcham em Brasília com o mote 'Congresso, inimigo dos povos'

Por JORGE ABREU

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Acampamento Terra Livre promoveu, nesta terça-feira (7), a tradicional marcha em direção ao Congresso Nacional, em Brasília, em protesto contra as derrotas de direitos indigenistas, como a inclusão do marco temporal na Constituição.

O grupo partiu do Eixo Cultural Ibero-americano, a antiga Funarte, onde concentra o acampamento, sob o mote "Congreso, inimigo dos povos". A manifestação foi acompanhada pela Polícia Militar e pelo Detran (Departamento Estadual de Trânsito).

"O Acampamento Terra Livre é um momente importante. Desde 2004, os povos originários se reúnem para colocar na mesa, em diálogo, a importância dos nossos direitos, principalmente a demarcação de terras", disse Joenia Wapichana, ex-presidente da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas).

Com o tema "Nosso futuro não está a venda ? a resposta somos nós", o evento pretende exercer pressão no poder público em defesa dos territórios. A organização espera reunir até 8.000 indígenas ao longo da programação, como nas duas últimas edições.

Empreendimentos que querem atuar dentro de territórios indígenas estão no centro das discussões do Acampamento Terra Livre, a maior manifestação dos povos originários do Brasil, que começou na segunda-feira (6) e segue até sexta (10), com atividades internas e externas.

A marcha antecede a retomada do julgamento do Ferrogrão, no STF (Supremo Tribunal Eleitoral), previsto para esta quarta-feira (8). O projeto prevê 933 km de ferrovia ligando o município de Sinop (MT) ao terminal portuário de Miritituba (PA), cortando a região amazônica.

Às vésperas desse julgamento, organizações indígenas protocolaram uma nova petição pedindo a derrubada da lei que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, e abriu caminho para a Ferrogrão.

"Os povos do Tapajós nunca desistiram da luta. Ninguém vai levar problema para a nossa região. O STF vai retomar o julgamento sa Ferrogrão, que cruza e ameaça o nosso território", disse Alessandra Munduruku, liderança indígena da região do Tapajós, em discurso no carro de som.

A Apoianp (Articulação dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará) criticou a atuação do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que apoia a exploração de petróleo próximo ao Amapá. A Petrobras recebeu a licença do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), após pressão política.

"O Amapá e o norte do Pará veio trazer seu recado: não queremos exploração de petróleo na foz do Amazonas. Em nome do presidente do Davi Alcolumbre, o Congresso quer destruir nossas terras. Passaram por cima dos nossos direitos", afirmou Luene Karipuna, coordenadora da Apoianp.

O repórter viajou a convite da Aliança pela Volta Grande do Xingu