Faculdade da Beneficência Portuguesa abre curso de medicina com início previsto para 2027
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Faculdade BP, instituição de ensino superior vinculada ao hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, conseguiu a autorização do MEC (Ministério da Educação) para a abertura do curso de medicina.
A nova graduação oferecerá 100 vagas anuais, com início previsto para janeiro de 2027 e processo seletivo programado para novembro deste ano. Atualmente, a instituição tem os cursos de enfermagem e psicologia, nas áreas de graduação, pós-graduação e cursos técnicos.
Em entrevista à reportagem, Denise Santos, CEO da BP, afirma que o curso de medicina consolida o ecossistema da instituição, permitindo que o aluno vivencie, desde o início, um ambiente real de cuidado, inovação e alta complexidade.
"Investir na graduação em medicina neste momento é uma decisão estratégica e com propósito. Já temos cursos consolidados e uma estrutura assistencial robusta, um corpo clínico médico de excelência, o que nos permite avançar com consistência", afirma Santos.
Para viabilizar a estrutura da faculdade, a BP investiu cerca de R$ 70 milhões. O currículo será baseado no desenvolvimento de competências, com o uso de tecnologias educacionais e atividades em ambientes de simulação.
A formação também prevê integração com projetos de pesquisa, inovação e iniciativas desenvolvidas no âmbito do PROADI-SUS (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde).
Além disso, os alunos terão acesso a práticas assistenciais, protocolos clínicos, atividades multiprofissionais e experiências ligadas à segurança do paciente e à gestão de risco.
"Acreditamos que a transformação da saúde passa também pela formação dos profissionais", afirma a CEO. "Por isso, nosso objetivo é contribuir para uma medicina mais integrada, tecnológica e centrada no paciente, preparando médicos que respondam às demandas atuais e futuras do setor."
A autorização do curso ocorre em um cenário de maior rigor na regulação do ensino médico no país após o baixo desempenho de alunos de medicina em geral no Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica).
Como consequência, o MEC instaurou processos de supervisão dos cursos de medicina.
A supervisão e a imposição de penalidades atingem 99 cursos de medicina, que são aqueles sobre os quais recaem os poderes regulatórios da pasta. A maior parte dos cursos com nota baixa está em instituições privadas (87), com ou sem fins lucrativos.