Estações da linha 4-amarela terão novas músicas a partir de segunda (13)

Por MARIANA GRASSO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O clarinete que por anos anunciou a abertura das portas na Linha 4-amarela do metrô em São Paulo vai mudar. A linha implementará a partir da próxima segunda-feira (13) um novo sistema sonoro, o chamado Siim (Sinal Musical), desenvolvido pela concessionária Motiva em parceria com o maestro Gil Jardim.

A mudança irá substituir o antigo sinal sonoro por novos, contando com uma identidade musical própria em cada estação. Também haverá um diferencial na plataforma: assim que o passageiro sai do vagão, ele consegue escutar a trilha do lado de fora do trem.

A concessionária informa que há uma música criada especificamente para cada estação, com assinaturas na versão diurna e noturna. Durante o dia, período mais movimentado, as composições são dinâmicas. No período noturno, os arranjos são mais suaves e terão a voz da cantora Vanessa Moreno.

Segundo a Motiva, o novo sistema foi desenvolvido com base em dois eixos principais: trazer uma padronização para os prazos de abertura e fechamento de portas dos vagões e para orientar o embarque e o desembarque dos passageiros.

Antes da iniciativa, a linha operava com cerca de 40 tempos distintos de abertura de portas, que oscilavam conforme o dia e o horário. Com a implementação do novo sistema, a Motiva informou que padronizou os intervalos em três tempos principais: 11, 16 e 22 segundos. A exceção é a estação da Luz, que mantém 32 segundos. A música é sincronizada ao tempo real de abertura e o silêncio ao final da melodia serve como o sinal sonoro para o encerramento do embarque.

O maestro Jardim diz à reportagem que o incômodo com essa oscilação de tempo foi o ponto de partida do projeto: "A gênese nasceu do incômodo com a imprevisibilidade de quando a porta dos trens vai fechar. Isso causa uma tensão, um certo estresse".

A inovação também atua como uma "bússola" sonora para pessoas com deficiência visual e baixa audição. Segundo a Motiva, a trilha permite que o passageiro identifique a estação e saiba exatamente onde está, o que amplia a autonomia no trajeto e precisa sobre o momento exato do fechamento das portas.

COMO FOI PENSADO

Baseado em um estudo de campo que mapeou o território ao redor das 11 estações, o projeto utiliza a música para traduzir a identidade dos bairros. Segundo a equipe de criação, a análise antropológica em um raio de 1,5 km permitiu que as trilhas incorporassem referências culturais específicas.

Segundo o engenheiro de som André Magalhães, foram realizados testes práticos nas plataformas para selecionar os instrumentos. "Eu peguei músicas de vários tipos diferentes e a gente foi às plataformas fazer testes para saber que instrumento, que som chegava mais às pessoas quando reproduzia nas estações. Tem timbres que se misturam e não propagam, e tem outros que furam o barulho", diz.

As propostas sonoras acompanham o perfil de cada parada: a estação Luz foca no contraste e na ressignificação; a República na efervescência; e a Higienópolis-Mackenzie na resistência. No trecho seguinte, a Paulista explora ressonância e conexão, a Oscar Freire a sofisticação e a Fradique Coutinho a boemia.

O dinamismo marca a Faria Lima, enquanto Pinheiros e Butantã priorizam, respectivamente, a cadência e a transformação. Na São Paulo-Morumbi, o conceito de articulação ganha ritmo de samba e, por fim, a Vila Sônia entrega uma trilha de acolhimento, representando o respiro ao final da linha.