Após paralisação de voos, casal que voltava de lua de mel vai chegar no Acre apenas no sábado
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O voo que deveria ser um final feliz da lua de mel do gestor público Tony Araújo Facundes Junior, 33, e da analista de TI Ana Marina Felício Facundes, 24, tornou-se uma dor de cabeça na manhã desta quinta-feira (9).
Eles saíram de madrugada de João Pessoa, na Paraíba, onde curtiram a viagem de núpcias, e chegaram ao Aeroporto de Guarulhos às 6h40, onde pegariam uma conexão para o destino final, a cidade de Rio Branco, no Acre.
Após 40 minutos de atraso no embarque, Tony e a mulher ficaram horas dentro da aeronave. "O comandante avisou que houve um problema. Mas ninguém sabia o que era exatamente. Ficamos mais de duas horas dentro do avião esperando informações, até quando informaram que houve um problema na torre, mas que não sabiam de mais nada", contou.
O passageiro afirmou que depois de mais uma hora foram avisados de que o voo tinha sido cancelado por causa de um incêndio e que deveriam desembarcar e procurar a companhia aérea.
"Sabemos que a companhia não tem culpa. Mas o atendimento estava péssimo. Não tinha gente suficiente para atender e tirar dúvidas. Tentamos com toda educação, pois sabemos que é difícil para eles também", relatou.
Ele afirmou que lutou para não dormir no chão do aeroporto. Durante a tarde, o casal foi encaminhado para um hotel e recebeu a confirmação de que embarcarão em um voo para Rio Branco no sábado de manhã.
Assim como eles, milhares de passageiros tiveram suas viagens afetadas em razão da paralisação de voos nos aeroportos de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, após suspeita de incêndio no prédio do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), da FAB (Força Aérea Brasileira). As estimativas iniciais da Anac são de que cerca de 8.000 passageiros tenham sido impactados.
Entre os passageiros, a espera e a falta de informações marcaram a manhã. O empresário Fábio Andres Patino, que estava com a esposa, Cristina Cabral de Miranda, saiu de Varginha (MG) e chegou ao Aeroporto de Congonhas por volta das 6h. O embarque ocorreu às 7h50, com decolagem prevista para 8h40, mas o avião permaneceu na pista até cerca de 10h30, quando o voo foi cancelado.
"A gente já estava dentro, esperando autorização para decolar. Aí o comandante mandou desembarcar e pegar as malas", afirmou. Desde então, eles aguardam orientação da companhia aérea. "Mandaram fazer a fila, mas até agora não sabem dizer se a gente viaja hoje, amanhã ou quando vai ser", disse.
Situação semelhante foi enfrentada pela passageira Jucilene Amaral, que viajava de férias com a família. Ela conta que o trajeto começou no Recife, com conexão em São Paulo, mas acabou marcado por sucessivos atrasos e cancelamentos. "O voo a gente pegou no Recife, desceu aqui para pegar o de 7h50, aí já foi cancelado. Passou para 9h30 e depois foi cancelado de uma vez, aí agora só de 15h30", afirmou.
A passageira Gislene Gonçalves Pires acompanhava a mãe, de 68 anos, e a avó, de 99, que viajariam para Montes Claros, em Minas Gerais. Elas chegaram ao aeroporto por volta das 10h para um voo previsto para às 11h55, mas foram informadas ainda no check-in sobre a paralisação e a falta de previsão de retomada.
Como as duas idosas precisavam de acompanhamento até a aeronave, a companhia ofereceu a remarcação para o dia seguinte, que chegou a ser aceita. Pouco depois, porém, veio a informação de que os voos poderiam ser retomados, ainda sem horário definido, e a família decidiu manter a viagem para o mesmo dia.
O embarque, então, foi remarcado para 13h50, com atraso de cerca de duas horas. "Falaram que não tinha previsão, mas que a gente podia escolher. Preferimos esperar", disse. Apesar da demora, ela afirmou que recebeu suporte da companhia. "Deram um respaldo, ajudaram por causa da idade delas. Agora disseram que a aeronave já está em pouso e que vamos embarcar", afirmou.
Nas redes sociais, dezenas de passageiros, que estavam prestes a decolar relatam esperar há mais de uma hora dentro das aeronaves sem informação se irão conseguir viajar. Alguns deles reclamam da falta de informação e por estarem presos dentro dos aviões sem ar-condicionado.
Também há relatos de passageiros que iriam desembarcar nos aeroportos de Guarulhos ou Congonhas, mas tiveram a rota dos voos alterada. Um homem, por exemplo, conta que voltava de Miami, nos Estados Unidos, e deveria descer no aeroporto Internacional de Guarulhos, mas o pouso foi redefinido para Confins, região metropolitana de Belo Horizonte.
PROBLEMA FOI CAUSADO POR FUMAÇA
O presidente da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) afirmou que o problema foi causado por fumaça. "O que ocorreu é que apareceu uma fumaça em uma área do prédio do Decea e, por precaução e orientação até que o Corpo de Bombeiros chegasse, os funcionários foram orientados pelo Decea a deixar o prédio", afirmou Tiago Faierstein, presidente da Anac.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, declarou que teria havido um princípio de vazamento de gás na torre militar. A Anac ainda não informou o que teria gerado a fumaça.
As companhias aéreas GOL, Azul e Latam afirmaram que prestam apoio aos passageiros afetados. Entre as medidas, estão a reacomodação e suporte durante a espera.
Segundo a Anac, passageiros têm direito à assistência material em casos de atrasos e cancelamentos. A partir de uma hora de espera, devem ser oferecidos meios de comunicação, como internet ou telefone. Após duas horas, as companhias devem fornecer alimentação. Em casos superiores a quatro horas, é obrigatória a oferta de hospedagem, quando necessário, além de transporte.