PM influenciador é preso em Curitiba em operação que investiga tortura e outros crimes

Por CATARINA SCORTECCI

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - O policial militar Marcionílio Sancho Cambuhy Junior, 44, que nas redes sociais se apresenta como Sancho Loko, foi preso em flagrante em Curitiba por posse de munição irregular.

O material foi encontrado na casa dele por agentes que cumpriam um mandado de busca e apreensão. A ação fez parte de uma operação contra um grupo do qual Junior faz parte e que é suspeito de tortura, fraude processual, lesão corporal e falsidade ideológica

Outros dois policiais militares são alvos da mesma investigação, que está sendo feita pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), braço do Ministério Público do Paraná.

Questionado pela Folha nesta quinta-feira (9) sobre as suspeitas, o advogado de Sancho Junior, Claudio Dalledone, afirmou que "ainda não tivemos acesso a essa insinuação e formalmente não existe nada sobre isso".

Junior tem mais de 270 mil seguidores em uma rede social, onde costuma publicar vídeos sobre sua rotina na PM, incluindo trechos de ocorrências em andamento.

Nas eleições de 2022, ele foi candidato a deputado federal pelo Pros (partido depois incorporado ao Solidariedade) com o slogan "sem massagem, pau na vagabundagem". Recebeu 9.128 votos e não se elegeu.

Nesta terça-feira (7), o Gaeco cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados e também na unidade militar em que estão lotados na capital paranaense. Os mandados foram expedidos pela Vara de Auditoria da Justiça Militar.

Durante a operação, ocorreram as três prisões em flagrante por posse de munição irregular. Dois policiais militares depois tiveram a liberdade provisória concedida, com aplicação de medidas cautelares. Já Junior teve a prisão convertida em preventiva (sem prazo determinado).

A defesa disse que Junioré "ordeiro e vai provar a inocência e a origem de todo equipamento que foi encontrado". Segundo Dalledone, foram apreendidos "alguns equipamentos, componentes de munição, próprios da prática de instrutor de tiro que ele exerce".

De acordo com o Gaeco, nas residências de dois dos investigado também foram encontrados dinheiro em espécie. Já em armários sem identificação na unidade da Polícia Militar foram localizados simulacros de arma de fogo, munições irregulares, maconha, crack e cocaína.

O Gaeco também informou ter apreendido telefones celulares e outros itens de armazenamento eletrônico.

O cumprimento dos mandados contou com o apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar.

Procurada nesta quinta pela reportagem, a PM afirmou que será instaurado um procedimento administrativo. Também disse que "não compactua com quaisquer condutas que afrontem os valores, princípios e normas que regem a corporação, reiterando seu compromisso com a legalidade, a transparência e a responsabilidade na condução de seus procedimentos".