Um acusado vai a júri por morte de Fernando Iggnácio no Rio, mas sessão de outros réus é suspensa
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A destituição dos advogados de dois réus suspendeu parte do julgamento pela morte do contraventor Fernando de Miranda Iggnácio, nesta quinta-feira (9), no 1º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Com isso, apenas Rodrigo Silva das Neves segue sendo julgado.
Inicialmente, também seriam levados a júri Pedro Emanuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D'Onofre Andrade Silva Cordeiro.
Durante a sessão, no entanto, ambos dispensaram o advogado que os representava, após discordarem da estratégia da defesa, que havia alegado insanidade mental de Pedro e pedido sua absolvição, negada pelo juiz. O julgamento dos dois foi suspenso e será remarcado.
Apontado como miliciano, Neves foi preso em janeiro de 2021, em uma pousada na cidade de Canavieiras, no sul da Bahia, onde estava escondido. O julgamento começou por volta das 13h, com o depoimento da primeira testemunha.
A defesa de Neves nega as acusações e afirma que a investigação da Delegacia de Homicídios que levou à prisão dos suspeitos foi "uma farsa".
Iggnácio foi morto em novembro de 2020, no estacionamento de um heliporto no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio, ao retornar de sua casa de veraneio em Angra dos Reis, na Costa Verde, onde costumava passar os fins de semana.
A vítima era genro do contraventor Castor de Andrade, morto em 1997, o que desencadeou uma disputa familiar pela herança.
Segundo as investigações, o crime foi encomendado por Rogério de Andrade, que atua no controle do jogo do bicho e de máquinas caça-níquel em Bangu, na zona oeste da cidade. Ele nega a acusação e está preso em presídio federal. Embora apontado como mandante, Rogério não integra este julgamento.
De acordo com a denúncia, no dia do crime, por volta das 9h, quatro acusados chegaram de carro ao local. Três deles invadiram um terreno baldio ao lado do heliporto, armados com pelo menos dois fuzis.
Após cerca de quatro horas de espera, Iggnácio desembarcou de helicóptero, vindo de Angra dos Reis. Os suspeitos então posicionaram as armas sobre o muro que separava o terreno do estacionamento, a aproximadamente quatro metros do carro da vítima, e efetuaram os disparos. O contraventor foi atingido três vezes, incluindo um tiro na cabeça.
Ainda conforme a denúncia, Márcio Araújo de Souza, integrante da segurança de Rogério de Andrade, teria sido responsável por contratar os executores do crime. Ao todo, seis pessoas foram denunciadas por homicídio qualificado.
As investigações apontaram também que Neves e Ygor Rodrigues Santos da Cruz, este último encontrado morto em 2022, já atuaram como seguranças da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, cujo patrono é Rogério de Andrade.