Entrada da Artemis 2 na atmosfera é um dos momentos mais quentes da missão
BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - Um dos momentos mais quentes, literalmente, e tensos da missão Artemis 2 ocorrerá nesta sexta-feira (10). A nave Orion, que recebeu da tripulação o nome de Integrity, entrará na atmosfera terrestre e, se tudo correr como planejado, amerissará com os astronautas em segurança no oceano Pacífico, na costa da Califórnia, às 21h07 (de Brasília).
A entrada na Terra é brutal e mínimos detalhes fazem diferença.
Os momentos finais do retorno começam 42 minutos antes da amerissagem. A Orion se divide em duas, com a parte ocupada pelos astronautas separando-se do módulo de serviço -este se destruirá na reentrada na atmosfera. Nesse momento, aproximadamente a 120 km da superfície terrestre, propulsores garantem a orientação correta do veículo para a entrada na atmosfera da Terra.
A 40 mil km/h, a nave com a tripulação da Artemis 2 entra na nossa atmosfera. Nessa hora, a força da gravidade aplicada a Orion é imensa. Por esse motivo, segundo a Nasa, nesse momento, os astronautas vão se sentir 3,9 vezes mais pesados do que se sentem na Terra. Em casos de problemas, em que o local de pouso precise ser alterado, os astronautas podem estar sob condições de uma força equivalente a 7 ou 7,5 vezes a gravidade da Terra.
E aqui entra um componente essencial para que a tripulação chegue em casa em segurança: o escudo térmico da Orion. Essa parte da nave deverá aguentar, ao entrar na Terra, temperaturas superiores a 2.700°C ?para se ter uma ideia, a superfície do Sol tem cerca de o dobro desse valor.
Esse é um momento ainda mais crítico dado que a Nasa detectou problemas no escudo térmico da Artemis 1, em 2022, o primeiro voo da Orion, ainda sem tripulação. Na ocasião, segundo a agência americana, a proteção sofreu desgaste excessivo e inesperado.
Tal escudo é feito de um material chamado Avcoat, uma resina plástica que acaba carbonizada (convertida em gás) na reentrada na atmosfera e, dessa forma, dissipa o calor. O mesmo material era usado nas missões Apollo, dos anos 1960 e 1970.
Análises apontaram que o escudo poderia ser usado para a Artemis 2. Mas a Nasa mudou a trajetória da nave na entrada, de modo a reduzir a distância percorrida na atmosfera terrestre -isso deve evitar que se repita o que aconteceu com o escudo da Artemis 1.
Durante o período da reentrada, a Orion não tem qualquer comunicação com a Terra, o que deve durar seis minutos.
Quando a nave estiver a cerca de 6 km da superfície, os paraquedas -serão 11 ao todo- começam a ser acionados. A velocidade nesse momento já está reduzida para aproximados 321 km/h.
Por fim, a 2 km do solo e a pouco mais de 200 km/h, os três paraquedas principais são acionados e levam a nave para um pouso relativamente suave no mar, a uma distância estimada de 90 km da costa californiana.
A partir desse momento, começa a retirada dos astronautas de dentro da nave. Equipes das Forças Armadas americanas e da Nasa se aproximam da Orion. Mergulhares garantem que tudo está seguro para a retirada das pessoas do veículo.
Primeiro, porém, após abrir a porta da nave, um médico entra e avalia se tudo está bem com os tripulantes, começando pelo canadense Jeremy Hansen, 50, especialista de missão. Um segundo médico entra e fica responsável por Reid Wiseman, 50, comandante da Artemis 2. O mesmo procedimento é adotado com o piloto Victor Glover, 49, e a especialista de missão Christina Koch, 47.
A primeira pessoa a ser retirada da Orion deve ser Koch, seguida por Glover, Hansen e Wiseman.
Caso haja alguma preocupação ou problemas médicos com algum deles, a lógica, porém, torna-se tirar essa pessoa antes da Orion, de acordo com a avaliação que for feita pelos profissionais de saúde no local.
Ao saírem da Orion, todos ficam em uma espécie de plataforma inflável. Em seguida, os astronautas são retirados do local por um helicóptero da Marinha americana, que os levam a um navio -no qual são submetidos a um check-up de saúde.
Por fim, a nave Orion é rebocada para dentro de um navio para ser, posteriormente, levada para o Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
Chega ao fim assim a Artemis 2, iniciada no dia 1º de abril. É a primeira missão tripulada à Lua neste século.