Nasa diz que viagem da Artemis 2 à Lua abre uma nova era de exploração espacial
BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - "Este é o começo de uma nova era da exploração espacial humana", afirmou Howard Hu, gerente do programa Orion na Nasa, a nave tripulada que levou os astronautas da missão Artemis 2 à Lua, durante entrevista coletiva após o pouso bem-sucedido da cápsula nas águas do Pacífico na noite desta sexta-feira (10). "Nós vamos ter vários desses momentos a partir de agora."
A fala de Hu -apreciando o momento atual, mas já mostrando foco no que vem a seguir em missões espaciais- captura o espírito e as falas de todos os representantes da Nasa presentes na entrevista coletiva que marcou o sucesso da Artemis 2. A missão que acaba de ser concluída também foi lembrada como um voo de teste.
O olhar para o futuro próximo ficou claro quando uma pergunta sobre a Artemis 3 foi respondida, sem muitos rodeios.
Amit Kshatriya, administrador-associado da Nasa, foi direto ao falar que, em breve, a tripulação da Artemis 3 será anunciada. "Não vou colocar números, mas em breve", disse.
O plano para essa missão é testar os módulos de pouso lunar em um voo em órbita baixa da Terra.
Tanto a SpaceX, de Elon Musk, quanto a Blue Origin, de Jeff Bezos, estão desenvolvendo módulos para o programa Artemis, em uma disputa para ver qual empresa será a primeira a realizar o pouso na Lua para a Nasa.
A missão atualizada da Artemis 3 envolverá a Orion, com astronautas a bordo, demonstrando a capacidade da cápsula de acoplar com um ou ambos os módulos de pouso em órbita baixa da Terra. O processo é uma etapa crucial no caminho da agência até a Lua.
Já para 2028 está programada a Artemis 4, na qual a Nasa espera recolocar humanos sobre o solo lunar.
"O caminho para a superfície lunar está aberto", afirmou Kshatriya. "O trabalho daqui para frente é maior do que o que ficou para trás. Sempre será. Cinquenta e três anos atrás a humanidade deixou a Lua. Dessa vez nós voltamos para ficar."
Quando questionado sobre o principal desafio para que a empreitada atual não termine como terminaram as missões Apollo --que começaram em meio a uma corrida espacial, mas que não tiveram, necessariamente, uma continuidade em relação à Lua--, Kshatriya afirmou: "Os arquitetos da Apollo queriam aprender a trabalhar e viver no espaço por um longo tempo. Mas, por causa da natureza do ambiente em que estavam, em uma corrida. Eles atingiram seus objetivos geopolíticos e tecnológicos. Mas, uma vez que estava feito, acabou."
Segundo Kshatriya, o que se queria construir lá atrás foi feito na sequência, como a partir da contínua presença de pessoas na órbita terrestre, na ISS (Estação Espacial Internacional) por mais de duas décadas.
"É uma estranha ironia da história ter levado tanto tempo para conseguirmos fazer isso. Mas não ficamos parados. Desenvolvemos as capacidades para ter uma presença duradoura no espaço. E agora vamos aproveitar isso, agora que voltamos à Lua", afirmou Kshatriya.
Um dos jornalistas que participaram da entrevista coletiva pediu que os representantes da Nasa escolhessem seus momentos favoritos da missão.
Shawn Quinn, gerente do Programa de Sistemas Terrestres de Exploração, escolheu o lançamento do foguete SLS, que deu início à missão, em 1º de abril, em Cabo Canaveral, na Flórida.
Hu disse que a abertura dos paraquedas, considerando as velocidades envolvidas. "Eu estava falando comigo mesmo 'vai, vai vai'. Me filmaram fazendo isso, achando que eu estava louco."
Rick Henfling, diretor de voo de reentrada da Artemis 2, afirmou que a sugestão de nomes para duas crateras foi seu momento favorito. Esse foi um ponto particularmente emocionante na missão, levando os astronautas às lágrimas. Isso porque a tripulação sugeriu que uma das crateras seja batizada de Carroll, nome da esposa de Reid Wiseman, comandante da Artemis 2. Ela morreu em 2020.
"Quando eles responderam, depois da amerissagem: 'quatro tripulantes verdes [fala de Wiseman, que significa que todos na nave estavam bem]'. E quando vimos Christina [Koch] saindo da cápsula", disse Lori Glaze, diretoria de Missão de Desenvolvimento de Sistemas de Exploração, sobre seus momentos favoritos.
"O meu é fácil. Vai ser amanhã quando eu encontrar meus amigos de novo", afirmou Kshatriya, possivelmente se referindo aos astronautas -durante a entrevista coletiva, ele havia reforçado a importância de trazer a tripulação de volta em segurança.