Defesa diz que PM atirou em moradora na zona leste para 'cessar escalada de agressões'

Por BÁRBARA SÁ

SÂO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A soldado da Polícia Militar Yasmin Cursino Ferreira atirou para "cessar a escalada das agressões", conforme afirmou pela primeira vez sua defesa. A declaração do advogado Alexandre Guerreiro, que sustenta a inocência da policial, é contestada por testemunhas e por imagens da gravação da ocorrência que terminou na morte de Thawanna da Silva Salmázio, 31, na zona leste de São Paulo.

A defesa da policial afirma que ela estava em serviço quando foi agredida e que efetuou um único disparo para interromper a ação. Também diz que a equipe acionou socorro imediatamente e comunicou o caso às autoridades.

"A defesa da Soldado Yasmin, realizada pelo advogado Alexandre Guerreiro, reafirma a inocência da policial. Estando no exercício da função ela foi agredida e efetuou um único disparo para cessar a escalada das agressões por parte da vítima. Importante pontuar que a equipe acionou o socorro imediatamente e deu ciência as autoridades competentes", afirma o advogado.

Relatos de testemunhas, no entanto, descrevem uma dinâmica diferente. Pessoas que estavam no local, além de uma advogada que teve acesso à gravação da ocorrência, dizem que a ajudante-geral foi agredida antes de ser baleada, na madrugada da última sexta-feira (3), em Cidade Tiradentes.

Thawanna estava caminhando na rua pouco antes das 3h com o marido, o ajudante de pedreiro Luciano Gonçalves dos Santos, 36, quando a viatura da PM passou pelo casal, esbarrando o retrovisor no braço dele.

Isso deu início a uma discussão entre os policiais e o casal, com Thawanna perguntando se eles iriam atropelá-los. A soldado Yasmin então saiu da viatura e, segundo moradores da rua e a advogada da família da vítima, Viviane Leme, que assistiu às imagens do caso, agrediu Thawanna com um chute e um murro.

O tiro de Yasmin em Thawanna teria ocorrido após a ajudante-geral dar um tapa na mão da policial após ser agredida, segundo testemunhas relataram à Folha.

Ferida, Thawanna permaneceu caída no asfalto por mais meia hora até a chegada de uma ambulância.

Uma filmagem feita por um morador mostra um policial apontando um fuzil e andando ao redor da vítima enquanto ela agonizava no chão.

A ocorrência desencadeou protestos no bairro. Moradores de Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo, fecharam vias com barricadas em chamas na noite do dia 3 em reação à morte da ajudante-geral.

Os dois policiais foram afastados do patrulhamento nas ruas, segundo a Secretaria de Segurança Pública. A pasta disse, em nota, que "lamenta profundamente a morte de Thawanna da Silva Salmázio e se solidariza com seus familiares".

"A ocorrência é investigada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), com prioridade, e também é objeto de Inquérito Policial Militar (IPM), com acompanhamento das corregedorias", afirmou a secretaria

A Corregedoria da PM tem 45 dias, contados a partir do dia 3 de abril, para concluir o IPM que investiga o caso.