Brasileiros viajam para Santiago, no Chile, para fotografar aviões

Por FÁBIO PESCARINI

SANTIAGO, CHILE (FOLHAPRESS) - Quase tão fácil quanto encontrar alguém com máquina fotográfica e enormes lentes apontadas para o alto era achar esses equipamentos nas mãos de gente falando português.

Dezenas de fotógrafos brasileiros, entusiastas por aviação, viajaram na última semana a Santiago, no Chile, para registrar a edição de 2026 da Fiade (Feira Internacional de Ar e Espaço, na tradução), apontada como a maior da América Latina e que há 46 anos ocorre bienalmente.

Ao menos meia centena deles se espalha desde a última terça-feira (7) pelo evento que vai até este domingo (12), na Base Aérea de Santiago junto ao aeroporto internacional Arturo Merino Benitez.

São fotógrafas e fotógrafos que viajaram em grupo ou sozinhos para registrar mais de cem aeronaves, entre aviões e helicópteros (boa parte militar).

Entre os cerca de 450 expositores da indústria bélica, há de armamentos simples, como pistolas, a misseis, drones e, claro, aviões, inclusive civis.

Mas o interesse desses fotógrafos estava no ar, ou quando o ensurdecedor som de turbinas anunciava que alguma estrela da exposição iria subir.

A principal delas é o caça de origem norte-americana F-35A Lightning II, pilotado pelo comandante Sean "Rambo" Loughhlin, do grupo F-35 A Demo Team, da Força Aérea dos EUA.

Nesta sexta (10), ele voou duas vezes. Uma sozinho e outra com dois caças F-16 da Força Aérea Chilena e um cargueiro KC-137, com uma espécie de reabastecimento no ar e diante das lentes e dos olhares do público que lota a feira o local do evento --em 2024 foram mais de cem mil pessoas, ao todo.

O médico veterinário Felipe Takigawa, 29, de Campinas (SP), não se cansava de mostrar a imagem registrada por ele do "cone de ar", o momento em que o F-35 rompe a barreira do som. "Vou baixar e postar hoje essa foto", afirmou.

Takigawa faz parte do grupo Brazilan Spotters, que reúne centenas de aficionados por fotografias aéreas do Brasil e de outros países, inclusive do Chile.

A Folha acompanhou durante dois dias ao menos dez integrantes do Brazilian que viajaram a Santiago, com uma diversidade de equipamentos, mas sempre com grandes lentes.

O servidor público Fernando Garcia, de Guarulhos (SP), um dos criadores do grupo, é plane spotter (observador, no caso fotógrafo, de avião, na tradução literal) há quase duas décadas E foi à Fidae pela segunda vez.

"A 'brasileirada' vem para cá porque aqui há muitas aeronaves diferentes", afirmou, citando o cargueiro A-400, da Airbus, que tinha uma unidade da Força Aérea Espanhola na feira, além de aviões militares dos Estados Unidos e do Brasil, que até quinta-feira (9) manteve exposto também cargueiro KC-390, fabricado e exportado pela Embraer.

"No Brasil não há muitas feiras aéreas internacionais. Para quem gosta de avião é algo diferente", disse.

Além das aeronaves militares, se destacam nesta semana de feira, apresentações dos Halcones, grupo acrobático chileno, tradicional na America do Sul e ganhador de prêmios na Europa, e o argentino Jorge Malatini, que aos 68 anos, que fez o público vibrar com suas manobras, entre outros.

Para o técnico de enfermagem Henrique de Nadai, 37, de Boituva (SP), a edição deste ano da Fidae foi especial. Apesar de ser um apaixonado por aeronaves, foi a primeira vez que voou de avião. "Voar é indescritível", afirmou ele.

"A Fidae acaba virando um vício, com apresentações cada vez mais elaboradas, com muitas novidades", afirmou a servidora pública Silmara Bettini, 53. "Spotter é assim, não escolhe um, mas todos", disse, ao ser questionada se algum avião em especial a havia feito visitar a feira pela segunda vez.