Juiz ordena indenização a tutoras de cadela triturada em caminhão de lixo
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - As tutoras de uma cadela jogada no triturador de um caminhão de lixo após ser atropelada em Ponta Grossa (PR) serão indenizadas em R$ 36 mil, decidiu a Justiça.
O valor deverá ser pago conjuntamente pela Prefeitura de Ponta Grossa e pela Ponta Grossa Ambiental, empresa que opera a coleta de lixo na cidade. As informações constam na decisão judicial à qual a reportagem teve acesso.
A Justiça entendeu que a cadela fazia parte do núcleo familiar das tutoras. A decisão a favor da indenização foi dada porque a morte dela causou sofrimento "evidente e grave" à família, afirmou a decisão.
Além disso, o juiz destacou a brutalidade da morte como um fator agravante do caso. Ele reconheceu que a atitude de jogar a cadela atropelada no caminhão de lixo "viola os deveres mínimos de cuidado à vida animal", a dignidade da família e o direito ao luto das tutoras.
Durante o processo, a prefeitura afirmou que a PG Ambiental seria a única responsável pelo caso, já que ela é responsável pela coleta na cidade. A empresa venceu o edital de concessão para o serviço em 2008 e desde então opera os caminhões de lixo de Ponta Grossa.
A defesa da concessionária, por sua vez, alegou que a culpa era exclusiva das duas tutoras da cadela, que deixaram Agatha sair de casa. O juiz negou as duas alegações ao emitir a decisão favorável às tutoras.
Prefeitura e Ponta Grossa Ambiental ainda podem recorrer da decisão. O UOL procurou as duas partes em busca de um posicionamento sobre a ordem de indenização. O espaço segue aberto para manifestação e será atualizado se houver resposta.
Na época do ocorrido, a prefeitura lamentou o caso e disse que registraria um boletim de ocorrência. Em nota, a prefeitura de Ponta Grossa afirmou que a Secretaria de Meio Ambiente pediu o afastamento imediato dos envolvidos. O órgão também declarou que "aguarda providências e responsabilização" no caso.
UOLA PG Ambiental, por sua vez, informou que o motorista e o coletor não seguiram o protocolo. A empresa também disse que "a guarda e vigilância de animais domésticos são de responsabilidade exclusiva de seus tutores".
Relembre o caso
A cadela Agatha foi atropelada após escapar de casa, em 8 de maio de 2025. Ao UOL, a tutora dela, Ana Julia Rodrigues, que é estudante de medicina veterinária, explicou que Agatha saiu pelo portão da garagem em um momento de descuido. Quando o pai dela foi procurá-la, não a achou em casa, mas viu vísceras e pelos dela na rua.
Após encontrar sangue na rua, a família olhou imagens de câmeras de segurança da própria casa e viu o animal sendo jogado no triturador. As imagens mostram que o caminhão atropela Agatha e, segundos depois, o coletor pega a cadela pelas patas e a arremessa no veículo, junto aos sacos de lixo.
Ação impediu qualquer chance de Agatha sobreviver, diz tutora. "Recebemos dezenas de animais eviscerados [no curso de veterinária] e eles não morrem no momento do acidente. Ele [o coletor] subjugou seu óbito e terminou com todas as chances que ela tinha de sobreviver", afirmou. Segundo a estudante, o coletor contou à PG Ambiental que constatou a morte do animal no local, o que ela contesta.
"Não pudemos ter acesso ao corpo, pois, como a atendente da Ponta Grossa Ambiental me informou, depois de passar pela prensa, não sobra nada", disse Ana Julia Rodrigues a reportagem.
Agatha tinha cinco anos e estava com a estudante desde que nasceu. Ela e os irmãos foram deixados na casa de Ana Julia para serem amamentados por outra cadela da família. Os outros filhotes foram doados após a amamentação.