Advogado de mulher imobilizada critica ação da PM na Paulista
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O advogado Rogério Carmo, que assumiu a defesa da mulher que foi imobilizada pela Polícia Militar na avenida Paulista, criticou a ação da corporação.
Jussara Silva e Carmo registraram denúncia contra os agentes envolvidos na ação. Ontem, eles formalizaram a queixa na Corregedoria da Polícia Militar, onde a mulher prestou depoimento junto com Rafael, homem que testemunhou e gravou a ação policial.
É absolutamente abusivo, ilegal, desproporcional e discriminatória a conduta da Polícia Militar ao tratar e humilhar uma mãe em plena avenida Paulista. Tratar uma mulher desarmada com imobilização violenta, utilização de algemas e encaminhamento dentro de um camburão da polícia, isso tudo sob os prantos de sua filha pequena, configura evidentemente um caso lamentável e triste de abuso policial. Rogério Carmo, advogado
Carmo diz repudiar insinuações de que Jussara estivesse armada ou feito ameaças. "A prova cabal disso está no próprio boletim de ocorrência, registrado exclusivamente como crime de dano. Não houve registro formal com crime de ameaça, e a própria representante da empresa já declarou à polícia não ter interesse em representar nesse sentido", disse ele em um vídeo no Instagram.
Um vídeo publicado na sexta-feira pelo deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) mostra parte do ocorrido. Nas imagens, Jussara é contida por agentes da PM enquanto pede ajuda. Perto dela está a filha, que assiste à cena chorando.
A PM informou, em nota, que foi acionada para atender uma ocorrência de desentendimento no local. Segundo a corporação, Jussara teria danificado uma porta de vidro e feito ameaças a funcionários de um escritório por estar insatisfeita com valores rescisórios.
Carmo explicou que Jussara foi ao local para assinar a rescisão de um contrato de trabalho no qual ficou por quatro dias. "Fizeram a Jussara acreditar que ela iria receber pelos dias trabalhados e, de boa fé, ela assinou os documentos. Acontece que só ao final, após a assinatura, informaram que ela não teria absolutamente nada a receber, por conta de descontos que sequer lhe explicaram. Ou seja, a Jussara foi induzida a erro no momento de maior vulnerabilidade de um trabalhador, que é a demissão", contou. Jussara confessou o dano causado ao local.
Chutar a porta foi um ato de total desespero de uma mãe que se viu lesada, e o dano causado à porta não pode sob nenhuma hipótese, justificar a violência e a truculência policial utilizada contra uma mãe trabalhadora. Rogério Carmo, advogado
A defesa afirma que o caso não é isolado. "Ele é o reflexo doloroso de como o sistema trata os trabalhadores e, especialmente, os corpos negros quando estes ousam cobrar seus próprios direitos."