Cidades de Minas Gerais começam a trocar charretes a cavalo por modelos elétricos

Por ARTUR BÚRIGO

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Cidades históricas e turísticas de Minas Gerais têm substituído charretes de tração animal por modelos elétricos.

As mudanças, previstas em leis municipais, foram motivadas por riscos de maus-tratos a animais e após episódios de acidentes envolvendo cavalos. As medidas ainda incluem indenização ou entrega de novos veículos aos operadores das charretes.

Em alguns casos, como em Tiradentes, no Campo das Vertentes, a iniciativa partiu de acordo entre a prefeitura e o Ministério Público de Minas Gerais, por meio da coordenadoria estadual de defesa dos animais.

Em março, a Promotoria entregou dez charretes elétricas à associação local. Os veículos foram custeados com recursos de medidas compensatórias obtidas pelo órgão.

A previsão é que a transição seja concluída até o fim do ano, com a entrega de outros 20 veículos. A partir daí, as charretes com cavalos serão proibidas na cidade, conforme lei municipal.

Os charreteiros que aderirem ao novo modelo devem entregar os veículos antigos e os dois cavalos usados em cada charrete. Os animais serão "aposentados" e destinados à doação.

A promotora Luciana Imaculada de Paula, responsável pela ação, afirma que a associação de charreteiros inicialmente resistiu à proposta, mas mudou de posição após conhecer um protótipo.

"Cada charreteiro tem que ter dois animais, porque [o cavalo] precisa descansar de um dia para o outro. Isso envolve um gasto grande com a manutenção da saúde do animal", diz.

Com os modelos elétricos, os condutores poderão operar até as 20h ? antes, o limite era 17h ? e circular em áreas até então inacessíveis aos cavalos. Os veículos têm cinto de segurança, capacidade para quatro passageiros e devem trafegar numa média de 12 km/h.

Cidades da região sul do estado também aprovaram leis proibindo charretes movidas a tração animal.

Em Poços de Caldas, onde os veículos operavam desde 1983, a atividade foi encerrada no último dia 13 de março. O serviço com os modelos elétricos será operado por meio de concessão.

Durante a transição, a legislação prevê indenização aos charreteiros, paga em parcelas, além de auxílio mensal de R$ 3.640 por 12 meses para a alimentação dos animais durante o período. Os proprietários podem optar pela doação dos animais ao centro de controle de zoonoses.

A prefeitura afirma ter orientado e atuado junto aos charreteiros para a reinserção deles no mercado de trabalho e para eventual participação na futura concessão do serviço de carruagens elétricas.

Em Caxambu, as charretes podem circular até maio, conforme lei sancionada após orientação encaminhada pela Promotoria. Em 2024, uma égua morreu na cidade enquanto transportava turistas e o laudo apontou envenenamento.

A prefeitura diz ter oferecido aos charreteiros cadastrados um benefício de R$ 15 mil, que poderá ser revertido para a compra de modelos de transporte elétricos. Eles também receberão cesta básica por 12 meses.

São Lourenço proíbe os passeios em charretes desde dezembro de 2023. Os 35 charreteiros receberam R$ 30 mil em três parcelas e um ano de cestas básicas.