Entenda a operação policial que prendeu MC Poze, MC Ryan e dono da página Choquei

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (15) operação para investigar um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo as apurações, movimentou cerca de R$ 1,63 bilhão.

A Operação Narco Fluxo prendeu nomes conhecidos do universo do funk e das redes sociais, como o MC Ryan, o MC Poze e o dono da página Choquei, uma das maiores de entretenimento do país.

A investigação acusa os indiciados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A operação cumpriu 39 mandados de prisão, além de ordens de busca e apreensão e bloqueio de bens dos envolvidos.

FUNCIONAMENTO DO ESQUEMA

A investigação parte da suspeita de que o grupo mesclava atividades artísticas com movimentação de recursos ilícitos, como transferências de criptoativos, transporte de dinheiro em espécie, e operações bancárias de alto valor.

ORIGEM DO DINHEIRO

Os recursos ilícitos tinham origem principalmente na exploração de jogos de azar não regulamentados, apostas de bets, rifas digitais clandestinas e práticas de estelionato digital. Há ainda indícios de utilização do esquema para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.

OCULTAÇÃO

O dinheiro era enviado a empresas de fachada e firmas em nome de laranjas. Os valores foram pulverizados por meio de centenas de transferências fracionadas ("smurfing"), evitando sistemas de detecção.

DESTINO DO DINHEIRO

Valores eram destinados a empresas de produção musical, entretenimento e marketing digital. Os recursos ilícitos foram misturados com receitas legítimas dessas empresas, criando aparência de legalidade e dificultando a identificação da origem dos valores. Parte dos recursos foi convertida em criptoativos e enviada ao exterior.

O capital é reinserido no caixa do grupo por meio da compra de imóveis de luxo, veículos, joias e aeronaves, frequentemente registrados em nome de terceiros para ocultação da titularidade real.

PARTICIPAÇÃO DOS PRESOS

MC Ryan é apontado como líder da organização criminosa ao usar produtoras para lavar dinheiro ilícito; defesa dele diz que todo dinheiro do artista tem "origem lícita".

Poze do Rodo é apontado como vinculado a empresas que faziam circular recursos de rifas e apostas; advogado diz que não teve acesso aos autos.

Já Raphael Sousa Oliveira (da Choquei) aparece nas investigações como responsável por promover apostas, zelar pela imagem dos envolvidos e receber altos valores.

ACUSAÇÕES

Os envolvidos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

PAPEL DAS REDES SOCIAIS

As redes aparecem como responsáveis pela projeção pública dos investigados e da circulação de conteúdos ligados ao grupo.

ONDE OS ACUSADOS FORAM PRESOS

MC Ryan foi preso em Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo. MC Poze estava na sua casa, no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio de Janeiro, quando foi detido. Raphael Sousa Oliveira, da Choquei, estava em Goiânia quando foi abordado pelos policiais.

QUANTO TEMPO FICARÃO PRESOS

A prisão decretada pela Justiça Federal é temporária e tem prazo inicial de 30 dias.

O QUE DIZEM AS DEFESAS

O advogado de MC Ryan, Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, afirmou que não teve acesso ao procedimento, o que o impede de se manifestar sobre detalhes do caso. Ele ressaltou que Ryan é uma pessoa íntegra e que "todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos".

O advogado de MC Poze, Fernando Henrique Cardoso Neves, afirmou que desconhece o teor do mandado de prisão.

A reportagem tentou contato com a defesa por email e mensagem enviados às páginas administradas por Raphael, mas não houve resposta até a tarde desta quarta-feira.