Policiais são afastados por não impedirem ação de PM suspeito de matar casal no ES

Por ARTUR BÚRIGO

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar do Espírito Santo afastou das atividades operacionais da corporação seis agentes suspeitos de omissão na ocorrência que envolveu a morte de um casal em Cariacica, na Grande Vitória, no dia 8 de abril.

Em novo vídeo divulgado nesta semana, os militares não demonstram reação quando o cabo da PM-ES Luiz Gustavo Xavier do Vale atira contra as vítimas Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana. Elas estavam sentadas na calçada. O militar que disparou foi preso sob suspeita de duplo homicídio qualificado.

Segundo o comandante-geral da corporação capixaba, coronel Ríodo Rubim, um inquérito policial militar vai apurar se houve omissão dos seis militares que atendiam a ocorrência.

"Todos os crimes podem e devem ser evitados. É o protocolo e o que se esperava dos nossos policiais, alguma intervenção para que não tivéssemos esse desfecho trágico", disse o coronel.

Após o governador Ricardo Ferraço (MDB) afirmar que o governo afastaria os seis policiais de todas as funções, o chefe da PM disse ter retirado os militares das atividades na rua e pedido à Justiça para que eles também não atuem em funções administrativas.

Os nomes dos policiais afastados não foram divulgados. Com isso, a reportagem não conseguiu identificar quem são os advogados de defesa para entrar em contato.

Em nota, a associação dos praças da PM e dos bombeiros do Espírito Santo afirmou que os seis militares agiram de forma correta e foram punidos de forma indiscriminada pelo governo do estado.

"Imediatamente após o fato, o militar [do Vale] foi contido, desarmado e preso pelos próprios policiais, sendo prontamente apresentado à autoridade competente", disse a associação. A entidade reforçou que o posicionamento não se refere à conduta do autor dos disparos.

A polícia também instaurou um processo para demitir o cabo Do Vale, que está preso preventivamente em presídio militar e irá responder na Justiça comum.

A reportagem procurou os advogados dele por mensagem na manhã desta quarta (15), mas não teve retorno. Em manifestação anterior, a defesa afirmou que não iria se pronunciar.

As vítimas eram vizinhas de sua ex-esposa e teriam discutido com ela no dia em que o cabo se dirigiu até o local para acompanhar a ocorrência.

Do Vale atuava como guarda de quartel e estava afastado das atividades de rua porque é réu pela morte de uma mulher trans, conhecida como Lara Croft, também em Cariacica, em 2022.

Na ocasião, os policiais afirmaram que a vítima teria avançado sobre os policiais com uma lâmina de barbear. Os familiares da vítima questionam a versão dos agentes e afirmam que ela foi assassinada.

A Justiça aceitou em junho do ano passado a denúncia do Ministério Público contra Luiz Gustavo do Vale por homicídio qualificado.

O Tribunal de Justiça afirmou que o prazo para manifestação da defesa do réu encerrou no último dia 17 de março. Questionado, o advogado do policial não respondeu ao pedido de manifestação sobre esse caso.