14,1 milhões moram em lares que ainda queimam lixo no Brasil
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A queima de lixo ainda era uma realidade para 4,8 milhões de domicílios no Brasil em 2025, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Esses endereços correspondiam a 6,1% do total de lares no país e abrigavam 14,1 milhões de moradores, o equivalente a 6,6% da população.
Os dois percentuais permaneceram estáveis ante 2024, mas mostraram queda na comparação com 2016, ano inicial da série histórica, quando estavam em 8,1% e 9%, respectivamente. Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua).
Conforme o levantamento, recorrer ao fogo para se desfazer dos resíduos é uma ação que segue fortemente associada ao meio rural.
Dos 9,1 milhões de domicílios rurais existentes no país, 50,2% (mais da metade) queimavam lixo em 2025, o equivalente a 4,6 milhões de endereços. No meio urbano, esse percentual foi bem menor, de 0,4%.
Os 4,6 milhões de lares rurais com queima de lixo responderam por 94,2% do total de 4,8 milhões de moradias com a prática no Brasil no ano passado.
"Isso acontece justamente nas áreas isoladas, na região rural, em que ainda há uma carência muito grande", disse William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE.
A Pnad sinaliza que a região Nordeste reunia o maior número de domicílios com queima de lixo (2,7 milhões), seguida pelo Norte (867 mil).
"É uma questão de logística, de que haja um empenho para fazer essa coleta na zona rural. As pessoas não vão acumular o lixo, que é foco de doenças", afirmou William.
Em dois estados, mais de 20% dos lares rurais e urbanos ainda queimavam os resíduos em 2025: Piauí (23,2%) e Maranhão (21,9%).
Por outro lado, Distrito Federal (0,4%), Rio de Janeiro (0,6%) e São Paulo (0,6%) mostraram os menores percentuais.
A Pnad aponta que a coleta de lixo feita diretamente por serviço de limpeza alcançou 86,9% dos domicílios brasileiros no ano passado. O percentual ficou estável ante 2024 e cresceu se comparado a 2016, quando era de 82,7%.
As diferenças também aparecem de acordo com a localização dos lares. Enquanto a coleta direta atendia a 94% dos endereços urbanos em 2025, chegava a apenas 32,4% dos rurais. As proporções eram menores em 2016 (91,2% e 29,3%).