USP propõe bônus de R$ 1.600 mensais a funcionários para encerrar greve

Por BRUNO LUCCA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A USP (Universidade de São Paulo) fez uma proposta de bonificação a seus funcionários para tentar encerrar a greve da categoria, paralisada desde o início desta semana.

O movimento teve como estopim justamente um bônus, mas o aprovado para professores da instituição, chamado de Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas).

A medida, votada pelo Conselho Universitário em 31 de março, criou um pagamento adicional de R$ 4.500 voltado a docentes que assumirem projetos considerados estratégicos, como a oferta de disciplinas em inglês e ações de extensão. A iniciativa já vinha sendo discutida há anos e foi promessa de campanha do atual reitor, Aluisio Segurado, que assumiu o cargo neste ano.

Ela terá impacto anual de R$ 238,44 milhões aos cofres da USP. O salário inicial de um professor-doutor na USP é de R$ 16.353,01 mensais. A bonificação representaria um acréscimo de 27,5% nesses vencimentos.

Em reunião nesta quinta-feira (16), representantes da reitoria apresentaram ao Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo) uma proposta de gratificação para todos os funcionários.

Ela paga mensalmente pelo mesmo período em que for paga a gratificação para os docentes ?inicialmente dois anos, podendo ser prorrogado.

Pela proposta, o valor total reservado para os funcionários seria igual ao dos professores.

Essa verba então seria dividida pelo total de servidores. Ou seja, se o valor da Gace for R$ 238,44 milhões por ano, isso daria algo em torno de R$ 1.600 mensais para cada um dos 12 mil funcionários.

Essa gratificação começaria a ser paga no mesmo momento que o pagamento para os docentes, previsto para o início de 2027.

A proposta foi confirmada à reportagem pela USP. O Sintusp promete uma resposta após sua próxima assembleia, na quarta-feira (22).

GREVE DOS ESTUDANTES CRESCE

Enquanto os servidores negociam o fim da greve, os alunos da universidade ampliam sua paralisação.

Em assembleias na noite desta quinta-feira (16), a paralisação foi aprovada na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), na Escola de Enfermagem e nos institutos de química, psicologia, geociências e oceanografia.

Historicamente avessos a movimentos grevistas, os alunos da Escola Politécnica, conhecida como Poli, também resolveram aderir ao boicote ?322 deles votaram a favor do movimento e 224, contra.

Ainda na quarta-feira (15), graduandos da FAUD (Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design) e da (Escola de Artes, Ciências e Humanidades), a USP Leste, já haviam aprovado seu ingresso na paralisação.

Demais graduações e faculdades ainda realizarão suas deliberações nos próximos dias.

Os estudantes pedem melhores condições de permanência, com o aumento no valor de bolsas, e denunciam a qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários. Nas últimas semanas, surgiram denúncias de refeições estragadas e com larvas sendo servidas, especialmente na Faculdade de Direito. As unidades são terceirizadas.

A greve tem apoio do DCE (Diretório Central dos Estudantes).

Outro tema que incomoda os alunos é a minuta visando a regulamentação dos espaços utilizados por centros acadêmicos. Ela tramita em órgãos internos da universidade e pode acabar com o comércio realizado pelas entidades.

O QUE DIZ A USP

Em nota publicada após a aprovação da gratificação, o reitor disse que a medida tem como objetivo promover a valorização das atividades acadêmicas e da carreira docente, "não apenas com vistas ao reconhecimento e à retenção de talentos, mas, igualmente, ao estímulo e à ampliação da excelência acadêmica como pressuposto do desenvolvimento social".

Segurado também afirmou que a instituição possui projetos para os servidores técnico-administrativos. Estaria em análise, por exemplo, a viabilidade econômica e de integração ao plano de carreira de uma proposta de valorização desse grupo.

A gestão anunciou ainda o reajuste dos benefícios concedidos aos servidores a partir de abril deste ano. O vale-alimentação passará de R$ 1.950 para R$ 2.050. O vale-refeição será aumentado de R$ 45 para R$ 65 por dia, além do reajuste de 14,3% do auxílio-saúde (pagamento em maio de 2026).

Sobre permanência estudantil, a USP diz que, em 2023, foi estabelecida uma política para dar suporte à permanência e a diferentes atividades de formação estudantil. Nesse contexto, incluíram-se as bolsas e auxílios de diferentes programas.

Os alunos contemplados são selecionados a partir de um questionário, que considera, dentre seus parâmetros, as situações de vulnerabilidade socioeconômica. Entre 2023 e 2025, 41,7% dos contemplados eram originários de famílias com renda menor que meio salário mínimo paulista (R$ 1.804), afirma a USP.

Em relação aos restaurantes universitários, a Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento disse que equipes técnicas do serviço de alimentação estão realizando visitas às unidades para apurar as ocorrências relatadas pelos estudantes e as medidas administrativas estão sendo tomadas.

Quanto à minuta dos espaços estudantis, a instituição afirma que não pretende cercear a liberdade das entidades, mas sim ter segurança jurídica.