Greve de servidores atinge 53 universidades e institutos federais
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Servidores técnico-administrativos de 53 universidades e institutos federais estão em greve, representando 150 campi. O motivo, segundo eles, são promessas não cumpridas pelo governo federal desde a última paralisação da categoria, em 2024.
À época, a mobilização ?que também teve a participação dos professores? durou cerca de três meses. Ao fim, funcionários e o MGI (Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos) assinaram um acordo prevendo, principalmente, reajuste salarial médio de 31,2% em quatro anos.
Também acertaram uma reestruturação da carreira, com o tempo de progressão diminuindo de 18 para 12 meses e aceleração a cada cinco anos. A mudança permite que se chegue ao topo do funcionalismo em 15 anos.
O motivo da discórdia, porém, foram as promessas não remuneratórias feitas pela pasta de Esther Dweck, dizem os servidores. As principais são a implementação do chamado RSC (Reconhecimento de Saberes e Competências) e a implementação da jornada de 30 horas semanais.
O RSC é um mecanismo que permite a progressão funcional e ganhos salariais sem exigência exclusiva de diploma, valorizando práticas como gestão, ensino e pesquisa.
Por essas pautas, os servidores iniciaram sua mobilização em 26 de fevereiro. "Nós não fazemos greve contra as instituições em que trabalhamos ou contra o governo, mas pelo cumprimento do acordo", diz Cristina del Papa, coordenadora geral da Fasubra (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil).
Entre as instituições que aderiram à paralisação estão algumas das maiores universidades federais do país, como UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
Algumas aulas e serviços estão sendo afetados, como laboratórios e comunicação. Outras atividades, como os RUs (Restaurantes Universitários), seguem funcionando na maioria das instituições por serem terceirizados.
GOVERNO DIZ QUE DEMANDAS FORAM ATENDIDAS EM LEI
O MGI informou à Folha que o governo Lula (PT) se comprometeu em janeiro deste ano a incorporar na legislação vários pontos solicitados pelas entidades sindicais em relação ao Reconhecimento de Saberes e Competências.
Segundo a pasta, o resultado dessa negociação foi condensado no projeto de lei 5.874, de 2025, aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pela presidência. A norma foi publicada em 31 de março e prevê que o RSC passará a ser incorporado ao plano de carreira da categoria em abril deste ano.
O texto prevê acréscimo de 5% a 23% nos salários. Para os trabalhadores, porém, o acesso e o ganho deveriam ser mais democráticos.
Sobre a jornada de seis horas ininterruptas (30 horas semanais), a proposta foi incorporada à legislação apenas para atividades envolvendo atendimento ao público externo.