Linha de ônibus da zona norte lidera queixas de passageiros em São Paulo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "O ônibus passa direto do ponto e vai para o meio da pista em vez de parar quando eu dou o sinal." Esse é o relato de Mozana Santos, faxineira do Shopping Center Norte e passageira diária da linha 971D-10, que vai do Jardim Damasceno ao shopping, na região da Vila Guilherme, zona norte de São Paulo.
A linha foi líder em reclamações de usuários sobre os ônibus municipais em 2025, com 519 queixas -quase uma queixa e meia por dia. No total, foram registradas 48.518 reclamações no ano, incluindo solicitações abertas, canceladas e finalizadas por meio do Portal SP 156, canal da Prefeitura de São Paulo.
Segundo a SPTrans, em 2025, a linha em questão operou com 18 ônibus na região da avenida Imirim, e que essa via está passando por obras de requalificação, inclusive no corredor de ônibus. Isso, segundo a gestão Ricardo Nunes (MDB), pode impactar em alguns momentos no fluxo dos veículos.
A Sambaíba Transportes Urbanos, concessionária responsável pela linha, foi procurada via email e telefone pela Folha por dois dias (terça e quarta-feira), mas não respondeu até a publicação da reportagem.
A reportagem acompanhou o itinerário da 97ID-10 no último dia 13. O trajeto teve início no sexto ponto, localizado na avenida Zaki Narchi, 101, no sentido Jardim Damasceno, e na volta, no sentido Shopping Center Norte.
Durante o percurso, o passageiro Juan Nascimento disse que utiliza a via uma vez por semana. Ele trabalha em um escritório de advocacia na avenida Paulista, na região central, e mora na Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte paulistana.
Juan disse que também costuma utilizar outras linhas na região, como a 1743-10 (Jardim Pery Alto/Shopping D) e a 118C (Jardim Pery Alto/Terminal Amaral Gurgel). "Percebo que a 971D-10 passa menos do que outros ônibus da região, por isso, acabo pegando outras linhas com mais frequência", diz.
Segundo o morador da zona norte, as obras na avenida Imirim aumentam o tempo do trajeto, mas isso acontece em outros ônibus que passam pela região.
Na viagem de volta, na mesma linha, a passageira Helena Costa, moradora do Jardim Damasceno, relatou que utiliza o ônibus há muitos anos para trabalhar no Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio, no Tatuapé. Ela segue até Santana e, de lá, pega outro ônibus para a zona leste.
"Uso o ônibus durante a semana e algumas vezes no mês aos fins de semana. Nos dias úteis, o ônibus sai a cada 15 ou 25 minutos. Já no fim de semana, pode demorar entre 1 hora e 1 hora e 20", afirmou Helena.
A reclamação dos três passageiros reflete um padrão mais amplo entre os usuários do itinerário em 2025. As duas principais queixas da linha 971D-10 foram: o intervalo excessivo entre viagens, com 404 reclamações, e motoristas que ignoram o sinal de embarque e desembarque, com 44 reclamações. Juntas, somam 87% do total de queixas da linha no ano.
Esse cenário também aparece nos dados de multas da SPTrans. Em 2025, o descumprimento de viagens programadas foi a principal causa de autuações às concessionárias, com 252.676 multas. O número é mais de 20 vezes maior que o segundo colocado: veículos com letreiro ou painéis informativos ausentes ou incorretos, que gerou 12.465 multas.
No dia 14, a reportagem também esteve na linha com mais reclamações em 2026. Até o momento, a 178L/10 (Lauzane Paulista/Hospital Das Clínicas) é a lider, com 172 queixas.
Durante o trajeto, o passageiro Genildo da Silva afirmou que utiliza a linha diariamente. "Eu pego o ônibus do Cemitério da Consolação até a Avenida Duque de Caxias. O problema recorrente dele é a demora, o aplicativo mostra intervalos de 15 minutos, mas, na prática, passa a cada meia hora", disse.
A longa espera pelos ônibus em São Paulo também foi a principal reclamação dos passageiros em 2025, com 19.310 queixas, o equivalente a 40% do total de reclamações sobre os ônibus municipais no ano.
Colaborou Fábio Pescarini