Justiça manda PM a júri popular por jogar homem de ponte na zona sul de São Paulo

Por PAULO EDUARDO DIAS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O soldado da Polícia Militar acusado de jogar um homem de uma ponte na rua Padre Antonio de Gouveia, em Cidade Ademar, na zona sul de São Paulo, em dezembro de 2024, será julgado por tentativa de homicídio.

A Justiça acatou a denúncia do Ministério Público e pronunciou o soldado Luan Felipe Alves Pereira para julgamento pelo tribunal do júri. A data ainda não foi marcada. Pereira responde ao processo em liberdade.

A decisão foi assinada pela juíza Fernanda Oliveira Silva na terça-feira (14). A denúncia havia sido apresentada pelo Ministério Público em janeiro de 2025. A defesa de Pereira tentou desclassificar o crime de tentativa de homicídio para lesão corporal ou abuso de autoridade, mas não obteve êxito.

Para a Justiça, a materialidade do delito foi comprovada pelos laudos de lesão corporal e pelos laudos periciais relativos à vítima. Outro ponto destacado das provas é a de que o policial militar teria praticado o crime mediante recurso que dificultou a defesa do homem, que teria sido lançado de cima da ponte de forma abrupta.

Segundo a vítima, ela passava de motocicleta, sem capacete, por uma rua onde ocorria um baile funk. Ao avistar policiais militares, abandonou o veículo e correu, mas foi alcançada pelos PMs. A vítima relatou ter sido agredida com golpes de cassetete.

Em depoimento, a vítima acrescentou que o PM réu disse que ela deveria pular da ponte ou seria arremessada junto com a motocicleta. Em seguida, foi conduzida por Pereira até a ponte e lançada. A vítima afirmou que não estava no baile funk e que havia ido ao local procurar a esposa.

Ainda segundo o depoimento, o réu estava acompanhado de outro policial, e cada um segurou um dos braços da vítima. Ela disse que não esperava ser jogada da ponte, mas foi agarrada pelo réu pelas calças e arremessada.

Durante o interrogatório, a vítima mostrou ferimentos na testa e na cintura, causados pela queda e por outras agressões. Após cair, foi socorrida por moradores. Conforme o documento de pronúncia, a vítima mudou de endereço por medo.

Em seu depoimento, Pereira, que atuava na Rocam, unidade de policiamento com motocicletas, relatou que naquele dia havia realizado diversas abordagens, apreendido motocicletas e feito acompanhamentos de veículos dentro do baile funk. Disse que tinha problemas pessoais e estava com a "cabeça cheia".

O agente relatou ter sido informado de que circulava na área uma motocicleta roubada. Uma viatura tentou realizar a abordagem, sem sucesso. Durante as buscas, relatou ter sido hostilizado por populares.

Em seguida, passou a acompanhar outra motocicleta. Populares teriam aberto caminho para os motociclistas, mas bloqueado a passagem dos policiais. A vítima transitou pelo local sem capacete. Ao perceber viaturas atrás de si, teria desobedecido a ordem de parada e caído da motocicleta. Foi contida pelos PMs após tentar fugir.

Pereira relatou ter levado a vítima para um local próximo a caçambas, considerado mais seguro para uma revista.

O policial afirmou que estava sozinho com a vítima e a questionou sobre o motivo da fuga. Ao encostá-la no muro para realizar a busca, a vítima teria passado a proferir xingamentos e dito que o conhecia. Pereira relatou estar com a "cabeça a mil", que se sentiu ameaçado e que sua "cabeça explodiu". Disse ter feito uma "projeção" como se a altura fosse baixa, mas que ela "não saiu certo" devido ao estresse do momento. Afirmou que não tentou matar a vítima e que a ação foi motivada pela sensação de ameaça e resistência.

Segundo o policial, ele não sabia que havia pessoas filmando a abordagem e que todos os policiais estavam equipados com câmeras corporais.