Suspeito de feminicídio no RJ acumulava medidas protetivas por agressões a ex-namoradas
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Suspeito de matar a modelo e ex-candidata a miss Ana Luiza Mateus nesta quarta-feira (22), no Rio de Janeiro, Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, 35, tinha mandado de prisão a cumprir por violência doméstica e acumulava medidas protetivas solicitadas por ex-namoradas.
Endreo foi preso em flagrante na manhã de quarta e levado à DHC (Delegacia de Homicídio da Capital). Ele teria assumido a responsabilidade pela briga que resultou na morte de Ana Luiza, sem confessar formalmente o crime, segundo a polícia.
Horas depois, no fim da tarde, Endreo foi encontrado morto na cela da delegacia. De acordo com a Polícia Civil, ele cometeu suicídio por meio de asfixia com o pano de uma peça de roupa.
Endreo Lincoln, filho de um pecuarista, era natural de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, e tinha extensa ficha criminal na Polícia Civil do estado.
Segundo a polícia sul-matogrossense, ele tinha um mandado de prisão a cumprir, registros de injúria e ameaça -ambas envolvendo violência doméstica-, além de lesão corporal, estelionato e falsificação de documento público.
Ao ser preso pela polícia fluminense, Endreo se apresentou com o nome do irmão e entregou um documento que pertencia ao familiar. Procurada pela reportagem, a advogada do irmão de Endreo relatou que ele estava em outro estado.
Em junho de 2024, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a pedido do Ministério Público, decidiu por medida protetiva contra Endreo, em processo criminal cuja vítima era a ex-namorada. A Justiça determinou que Endreo não poderia se aproximar por menos de 200 metros da vítima nem manter contato com ela ou familiares. Àquela altura, o endereço de Endreo já não era conhecido da Justiça.
Outras duas medidas protetivas, uma delas sendo prorrogação da primeira, foram determinadas em dezembro de 2025 e fevereiro deste ano. Duas mulheres, ex-namoradas de Endreo, são citadas como vítimas no processo.
Neste processo, a vítima relatou à polícia que foi estuprada e agredida com socos na cabeça, no abdômen e no rosto. As agressões, segundo ela, foram motivadas por ciúme.
Natural de Teixeira de Freitas, no sul da Bahia, Ana Luiza conheceu Endreo no Carnaval do Rio de Janeiro, em um camarote da Marquês de Sapucaí. A maquiadora passava temporadas frequentes no Rio para tentar a carreira de modelo e já havia conseguido alguns trabalhos na área. Durante o Carnaval ela estava a serviço de uma revista digital de moda.
Dois amigos ouvidos pela reportagem afirmaram que Ana Luiza passou a sugerir estar em um relacionamento abusivo nas últimas duas semanas. Os dois sinais, segundo os amigos, foram a diminuição de publicações nas redes sociais --a modelo tinha 37 mil seguidores no Instagram- e uma fala que deu indícios de que ela estava em cárcere privado.
"Para mim ela nunca disse nada sobre o namorado ser uma pessoa agressiva. Ao contrário, teceu elogios, disse que ele cuidava dela e que sempre viajavam juntos. O único indício era a presença na rede social, que diminuiu. Ela disse: 'amigo, ele é um pouco ciumento, não gosta que eu fique aparecendo, mas até o feriado vou voltar a postar de novo'", afirmou o jornalista João da Cruz Neto, amigo de Ana Luiza.
A uma amiga, que pediu para não ser identificada, Ana Luiza afirmou há uma semana que estava em uma "gaiola de ouro". A expressão deu indício, segundo eles, de que ela estava em cárcere privado.