Tuvalu deve sediar 2º encontro pelo fim dos combustíveis fósseis
SANTA MARTA, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - A primeira conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis ainda não terminou, mas o próximo destino do novo encontro climático está desenhado. A pequena e ameaçada nação insular de Tuvalu deve receber o evento em 2027, e a Irlanda negocia para ocupar a sua copresidência.
Maina Vakafua Talia, ministro de Assuntos Internos, Mudanças Climáticas e Meio Ambiente de Tuvalu, confirmou à Folha a possibilidade.
O encontro "Transitioning away from fossil fuels" (TAFF) ?em português, transição para abandonar os combustíveis fósseis? começou na última sexta (24) em Santa Marta, na Colômbia, em parceria com os Países Baixos, e se estende até a próxima quarta (29). Trata-se do primeiro evento internacional a reunir países que buscam abandonar os combustíveis fósseis.
A conferência tenta se diferenciar das tradicionais cúpulas climáticas da ONU (as COPs) ao buscar afastar a interferência e o lobby do petróleo do centro da discussão. As COPs têm sofrido críticas exatamente por isso. Há nesses encontros da ONU países já conhecidos por travar as negociações quando o assunto chega a obrigações relacionadas a combustíveis fósseis ?a maior causa da crise climática atual.
Irene Vélez-Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, que tem liderado a conferência em Santa Marta, afirmou publicamente que países não dispostos a cooperar com o abandono da energia fóssil não foram convidados para o encontro. Entre eles, estão grandes poluidores, como EUA, Rússia e China.
Apesar disso, a conferência atual reúne tanto países importadores de energias fósseis como produtores, como a própria Colômbia ?Santa Marta, inclusive, apesar de um destino turístico no caribe colombiano, é um grande porto de carvão.
O próximo destino da conferência pode, então, ser significativo do ponto de vista de mudanças climáticas e combustíveis fósseis.
Tuvalu é uma pequena ilha no Pacífico extremamente ameaçada pela crise do clima causada pela energia fóssil. O aumento do nível do mar ameaça a existência do país, que pode desaparecer em algumas décadas.
Já há, inclusive, migrantes climáticos provenientes de Tuvalu. Mais de 80% da população do país (cerca de 11 mil habitantes) já solicitou visto climático para ir para a Austrália.
Além disso, no último dia 17, ministros e autoridades de alto escalão de Tuvalu, Samoa, Fiji, Palau, Micronésia e Vanuatu lançaram uma declaração pedindo o banimento dos combustíveis fósseis no Pacífico e a transição para economias baseadas 100% em energias renováveis.
O documento pede, ainda, a negociação e adoção urgentes de um Tratado Global sobre Combustíveis Fósseis: um mecanismo internacional vinculativo para gerir uma eliminação justa, ordenada, equitativa e rápida do carvão, petróleo e gás.
A próxima conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis também se aproxima ?pelo menos metaforicamente? da próxima conferência climática das Nações Unidas. Em outubro, Tuvalu também vai sediar, ao lado de Fiji, o encontro de autoridades mundiais na pré-COP, que antecede as negociações climáticas da ONU, em novembro.
A COP31 será copresidida por Austrália, um dos maiores exportadores mundiais de carvão, e Turquia. O encontro da ONU ocorrerá na cidade litorânea turca de Antália, enquanto a chefia das negociações ficará com os australianos.