Nunes recua e inclui corredor de ônibus em obra de duplicação da estrada do M'Boi Mirim
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) anunciou, nesta terça-feira (28), a inclusão de corredor de ônibus no canteiro central no projeto das obras de duplicação da estrada do M'Boi Mirim, no extremo sul de São Paulo.
O anúncio representa recuo da gestão, que havia previsto a instalação de faixas exclusivas à esquerda da via em desacordo com a versão original, apresentada em setembro de 2019.
A mudança foi criticada por especialistas e moradores do entorno porque as faixas exclusivas não separam o transporte público dos demais veículos e não reduzem o tempo de viagem. Passageiros chegam a demorar mais de uma hora para percorrer trecho de 5 km nos horários de pico. O mesmo percurso leva cerca de 15 minutos sem trânsito.
O recuo ocorreu cerca de um mês depois de a Folha mostrar que o projeto original, elaborado pelo DER (Departamento de Estradas e Rodagem), do governo estadual, em setembro de 2019, foi alterado pela gestão Nunes.
Na ocasião, a gestão afirmou ser inviável a implantação de 5,1 quilômetros de corredor de ônibus, entre o terminal Jardim Ângela e a avenida dos Funcionários Públicos, devido ao adensamento urbano no entorno da via, o que resultaria em um número expressivo de desapropriações.
Em nota, a gestão Nunes nega o recuo e argumenta que a proposta anterior, com as faixas de ônibus, não era a definitiva. Sobre os entraves citados para a instalação do corredor, a gestão afirmou que serão sanados nos projetos executivos, "que definirão as soluções de engenharia necessárias", diz trecho da nota.
O primeiro trecho das obras teve início em janeiro e prevê a revitalização de 1,2 km entre a divisa do município com Itapecerica da Serra e a avenida dos Funcionários Públicos. A conclusão é prevista para setembro. Nesse intervalo, não haverá a instalação de corredor de ônibus "por não se justificar o gasto de recursos públicos, já que a demanda é bem menor", diz comunicado oficial da prefeitura.
Orçada em R$ 446 milhões, sem o custo das desapropriações, a intervenção tem previsão de conclusão para 2028. Estão planejados enterramento de fios ao longo da via, drenagem, novo calçamento, implantação da Faixa Azul para motociclistas, ciclovia e iluminação em LED.
Com cerca de 16 quilômetros, a estrada do M'Boi Mirim funciona como o principal acesso ao centro da cidade para os cerca de 2 milhões de habitantes que vivem no distrito de Jardim Ângela e nos bairros Capão Redondo e Campo Limpo e dependem majoritariamente do transporte público.
A distância de mais de 25 quilômetros da região central, aliada à dependência de um único modal de transporte, o ônibus, faz com que os moradores encarem trajeto de mais de duas horas para ir e voltar do trabalho diariamente. "A situação é caótica", diz José Geraldo Araújo, líder do movimento SOS Transportes M'Boi Mirim, iniciativa criada em 2009 para cobrar melhorias na mobilidade da região.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), quase 300 ônibus por hora e cerca de 400 ciclistas por dia circulam na estrada do M'Boi Mirim.