EUA oferecem quase R$ 1 milhão para quem resolver surto de espécie invasora

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O governo dos Estados Unidos lançou um desafio que pode pagar até US$ 200 mil (cerca de R$ 998 mil) para quem apresentar uma solução capaz de conter a disseminação de mexilhões invasores que ameaçam rios, lagos e infraestrutura hídrica no país.

O objetivo da oferta é encontrar novas tecnologias ou métodos capazes de impedir que espécies invasoras se espalhem por meio de embarcações. A iniciativa foi anunciada pelo Bureau of Reclamation, agência federal responsável por grandes sistemas de abastecimento de água e geração de energia hidrelétrica.

Espécies como os mexilhões quagga, zebra e dourado conseguem se deslocar entre diferentes corpos d'água pegando "carona" em barcos. Pequenas quantidades de água que ficam presas nos compartimentos de lastro das embarcações podem transportar larvas ou organismos microscópicos para novos lagos e rios.

Uma vez instalados, esses animais se fixam em superfícies submersas, formando colônias densas que podem comprometer sistemas de captação de água. Esses organismos invasores já geram mais de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5 bilhões) por ano em prejuízos relacionados ao controle da infestação e aos danos em infraestrutura.

Os mexilhões podem se acumular em tubulações, bombas e sistemas de captação usados por cidades, fazendas e usinas de energia. A partir daí, reduzem a eficiência dos equipamentos ou até bloqueando totalmente o fluxo de água.

Evento causa impactos financeiros exacerbados. De acordo com o Bureau of Reclamation, apenas os mexilhões quagga e zebra são responsáveis por mais de US$ 1 bilhão por ano em custos de controle e reparos de infraestrutura nos Estados Unidos.

Essas espécies também afetam ecossistemas aquáticos, marinas, praias e reservatórios. A preocupação aumentou recentemente com a detecção de mexilhões dourados na Califórnia em 2024, espécie considerada altamente invasora.

Para tentar conter o problema, o governo criou um desafio. A ação, chamada "Halt the Hitchhiker: Invasive Species Challenge" (algo como "Pare o Carona: Desafio contra Espécies Invasoras"), busca soluções inovadoras para eliminar o risco de transporte dessas espécies em embarcações.

O intuito é encontrar "soluções inovadoras para eliminar o risco de espécies aquáticas invasoras", diz o site oficial. Lá está especificado que se incluem métodos capazes de "matar, excluir ou inativar espécies como mexilhões quagga, zebra e dourado", protegendo a infraestrutura hídrica e hidrelétrica.

Atualmente, os programas de inspeção e descontaminação de barcos exigem tempo e mão de obra especializados. Em muitos casos, o processo envolve enxaguar compartimentos das embarcações com água aquecida, procedimento que pode levar até uma hora por barco.

Segundo o Bureau of Reclamation, isso cria gargalos durante períodos de maior movimento em lagos e reservatórios. "Durante as temporadas de pico da navegação, isso cria gargalos operacionais e desafios para acompanhar o volume de embarcações que se deslocam entre diferentes corpos d'água", informou a agência.

O desafio será dividido em três fases, com prêmios em cada etapa. Na primeira fase, participantes devem enviar propostas conceituais de novas tecnologias ou métodos de inspeção e descontaminação. Até seis projetos podem receber até US$ 25 mil cada. Os melhores seguem para uma fase de apresentação virtual, em que até três equipes podem ganhar até US$ 50 mil para avançar no desenvolvimento das ideias.

Na etapa final, os participantes desenvolverão protótipos para testes em laboratório. Os prêmios máximos previstos são: US$ 125 mil (R$ 623,5 mil) para o primeiro lugar; US$ 75 mil (R$ 374,1 mil) para o segundo; US$ 50 mil (R$ 250 mil) para o terceiro.

A competição está aberta a pesquisadores, startups, universidades e inventores baseados nos Estados Unidos. Os vencedores finais devem ser anunciados em setembro de 2027.