PM faz nova operação na favela de Paraisópolis e descobre 'casa-bomba'
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No segundo dia de operações contra o crime organizado na favela de Paraisópolis -iniciadas após reportagem da Folha de S. Paulo-, a Polícia Militar localizou nesta segunda-feira (4) uma "casa-bomba" na rua Laércio Setúbal, local utilizado para armazenamento e preparo de entorpecentes.
Segundo nota do governo estadual, a ação na zona sul de São Paulo foi realizada por equipes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), com apoio de tropas especializadas e uso de drones, em um total de 50 oficiais.
A casa era um ponto de refino e distribuição de drogas, onde foram apreendidas porções de cocaína e skank já embaladas para venda. Um procurado da Justiça também foi capturado durante as ações.
Segundo a PM, a ação faz parte de uma estratégia permanente de enfrentamento ao crime organizado, com presença constante da polícia em comunidades da área do 16º BPM/M.
A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) informou na nota que a intensificação das operações ocorreu após um confronto armado registrado na semana passada, quando um suspeito foi preso com uma pistola furtada e uma mochila com entorpecentes. Na ocasião, o criminoso atirou contra os policiais, o que, segundo o governo, motivou o reforço das ações na região.
No entanto, a ação do domingo (3) ocorreu menos de 24 horas após reportagem da Folha de S. Paulo mostrar as mudanças na forma como a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) opera na favela, onde exerce um nível sem precedentes de controle territorial, mais rígido e com adoção de táticas geralmente atribuídas à facção fluminense CV (Comando Vermelho).
Um vídeo postado pelo governador nas redes sociais mostrava policiais utilizando marretas e serra elétrica para a remoção dos bloqueios, feitos com barras de ferro e peças de concreto. Em uma imagem, a sigla PCC aparecia marcada no concreto ao lado de uma estrutura instalada no chão. Em outra, uma corrente estava conectada a duas barras de ferro.
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) ressaltou ter feito 291 prisões, 120 capturas de procurados pela Justiça e 198 prisões em flagrante na região entre janeiro e abril deste ano. Ainda destacou a apreensão de 39 armas, cerca de 1,1 tonelada de drogas e 156 veículos.
Segundo a pasta, o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, disse que a polícia mantém presença permanente na região e as operações são baseadas em dados de inteligência. As ações devem continuar ao longo dos próximos dias em toda a área do batalhão.
Parte de uma série sobre os 20 anos dos crimes de maio, a reportagem da Folha de S. Paulo descreveu um cenário de avanço do controle exercido pelo PCC sobre Paraisópolis, afetando a rotina dos quase 60 mil moradores. Entre as medidas, estão a implantação de taxas a comerciantes, bloqueio de vias de acesso, fiscalização das atividades das organizações sociais e até o uso forçado de lideranças em protestos orquestrados pela facção.
Além de exercer maior controle, o PCC fez de Paraisópolis o principal palco de resoluções de conflitos envolvendo seus membros, segundo a apuração da Folha de S. Paulo. Um promotor afirmou à reportagem que a comunidade se tornou a última instância da facção. Os "réus" de casos graves ou integrantes que exercem função de liderança do bando são levados para a "laje", como é conhecido o local onde são realizados os "tribunais do crime". Lá, são julgados e, em caso de condenação, a pena pode ser a morte.