Pais se desesperam após ataque a tiros em escola em Rio Branco
RIO BRANCO, AC (FOLHAPRESS) - Pais de alunos do Instituto São José, em Rio Branco (AC), mostraram desespero na porta da instituição na tarde na tarde desta terça-feira (5), depois do ataque a tiros que deixou duas funcionárias mortas, além de dois feridos. Um adolescente de 13 anos foi apreendido.
Por meio de nota, o governo do Acre informou que quatro pessoas foram atingidas pelos disparos, sendo três funcionárias e um aluno.
Duas funcionárias morreram: a auxiliar administrativa Raquel Sales Feitosa, 36, e a inspetora Alzenir Pereira da Silva, 53. As outras duas vítimas foram encaminhadas ao pronto-socorro.
"Eu fiquei sem chão. A gente nunca imagina que uma coisa dessas vai acontecer", disse a mediadora Joelma Soares de Souza, mãe de um adolescente de 12 anos que estuda no colégio. "Eu vim desesperada quando minha amiga me ligou. Disseram que um aluno do nono ano entrou armado. Que tragédia."
Dono de uma borracharia localizada próxima à escola, Jeziel Frota disse que soube do ocorrido por um motoqueiro que parou para calibrar o pneu. "Larguei o prato de comida e corri para salvar meu filho", disse ele. O filho é aluno do 9º ano.
"Quando cheguei na frente já tinha muita gente, uns chorando outros gritando, aí não me deixaram entrar", conta. "Eles estavam tirando os alunos lá de dentro e comecei a gritar pelo meu filho, que apareceu logo em seguida. Eu abracei ele com muita força e comecei a chorar."
Na frente da escola, o clima era de comoção e correria. Alguns funcionários passaram mal e precisaram de atendimento médico. O Samu mobilizou toda estrutura disponível para atender a ocorrência.
Muitos choravam abraçados uns aos outros. A escola fica na rua Benjamim Constant, a menos de 300 metros do Comando Geral da Polícia Militar, no centro da capital.
Segundo o comandante do Bope, tenente-coronel Felipe Russo, um adolescente de 13 anos, aluno da escola, invadiu o local armado, matou duas coordenadoras de ensino e deixou outras quatro pessoas feriadas.
A arma era de propriedade do padrasto do menor, um advogado, que foi preso horas depois. O Governo do Acre suspendeu por três dias as aulas em toda rede estadual.
O policial penal Jessé Lemos mostrou alívio pela filha estar bem e exaltou as duas vítimas funcionárias da escola. "A minha [filha] está viva graças à coragem dessas duas mulheres que morreram para salvar os alunos aqui."
Um aluno de 15 anos afirmou à reportagem que a reforma no prédio pode ter contribuído para a falta de reação imediata ao ataque na escola. Segundo ele, como a unidade passa por obras, a turma inicialmente confundiu o barulho dos tiros com ruídos da reforma.
Em seguida, ainda segundo o estudante, alguém tentou abrir a janela da sala, que fica em um piso acima de onde ocorreu o ataque. Foi quando uma professora alertou sobre a situação.