O que se sabe sobre o acidente de avião que matou três pessoas em Belo Horizonte

Por Folhapress

CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil e o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) investigam o que causou a queda de um avião de pequeno porte em Belo Horizonte na segunda-feira (4).

A aeronave com cinco pessoas a bordo bateu na lateral de um prédio residencial minutos após decolar do Aeroporto da Pampulha, deixando três pessoas mortas e duas feridas.

Veja a seguir o que se sabe sobre o caso:

COMO FOI O ACIDENTE?

Uma aeronave de pequeno porte perdeu altitude logo após deixar o Aeroporto de Pampulha, em Belo Horizonte, e atingiu um edifício residencial de três andares na rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira, às 12h19 de segunda-feira (4).

Imagens mostram que a aeronave planou entre os prédios até atingir a lateral do edifício e o piloto chegou a declarar emergência grave (mayday) para a torre de controle.

O local da queda é 3,9 quilômetros distante da cabeceira 31, a mais próxima da avenida Cristiano Machado.

A aeronave havia saído no início da manhã de Teófilo Otoni (MG) e feito escala em Belo Horizonte, onde duas passageiras desembarcaram (mãe e filha). Ela partiu do Aeroporto de Pampulha às 12h16 e o destino era São Paulo.

Cinco pessoas estavam a bordo. Três morreram e outras duas pessoas ficaram feridas. No prédio, ninguém foi diretamente atingido.

Ao lado do prédio, onde destroços caíram, funciona um estacionamento de um mercado. No local, houve vazamento de combustível, mas o risco de explosão foi neutralizado com aplicação de espuma mecânica.

QUEM ESTAVA NA AERONAVE?

O piloto da aeronave, Wellinton de Oliveira Pereira, 34, foi um dos mortos no acidente. Ele nasceu no Paraná, mas estava morando em Vitória da Conquista (BA). O velório do corpo está previsto para as 11h desta quarta-feira (6) na cidade de Munhoz de Mello, no norte do Paraná. O sepultamento ocorre às 17h no cemitério municipal. Chamado apenas de "Lito" pela família, ele era o caçula de cinco irmãos. Ele deixa esposa e um filho de quatro anos.

Os velórios das outras duas vítimas iniciaram nesta terça-feira (5). Uma delas é o médico veterinário Fernando Moreira Souto, 36, filho do prefeito de Jequitinhonha (MG). Ele deixa dois filhos pequenos. Conhecido como Fernandinho, ele era o filho caçula do prefeito Nilo Souto (PDT) e considerado seu braço direito na condução dos negócios da família e na rotina política no município.

O passageiro Leonardo Berganholi Martins, 50, também morreu. Era um empresário conhecido em Teófilo Otoni e em cidades da região do Vale do Mucuri. Ele administrava a Uaitag Administradora de Convênios e Serviços, que se apresenta como uma empresa especializada em soluções tecnológicas para a otimização de processos empresariais e públicos.

Leonardo chegou a ser socorrido com vida, mas morreu no Hospital de Pronto-Socorro João 23. A Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) confirmou a morte na noite de segunda.

Os sobreviventes são Arthur Schaper Berganholi, 25, filho de Leonardo, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, 53. Os dois permanecem hospitalizados.

DE QUEM ERA A AERONAVE?

A Polícia Civil informou que o voo era de caráter particular e não operava como táxi aéreo. A aeronave havia sido adquirida recentemente e ainda passava por processo de transferência de propriedade.

O operador atual do avião, conforme o registro mais recente, é uma empresa de internet de Teófilo Otoni (MG) chamada Inet Minas. A reportagem fez contato com a empresa via email e mensagem de WhatsApp, mas não teve resposta.

O avião é de matrícula PT-EYT e tem situação normal de aeronavegação, segundo o RAB (Registro Aeronáutico Brasileiro).

Segundo registro na Anac, a aeronave monomotor é do modelo NEIVA EMB-721C, foi fabricada pela Embraer em 1979 e estava em situação legalizada. É um avião comum na aviação privada e usado para deslocamentos regionais.

COMO FICOU O PRÉDIO ATINGIDO?

A aeronave atingiu uma caixa de escada do edifício, comprometendo o acesso aos andares. Todos os moradores foram retirados após o acidente e, no dia seguinte, por volta das 16h de terça, eles foram autorizados a voltar para seus apartamentos, após o encerramento do trabalho de perícia do Cenipa e o recolhimento dos destroços do avião.

De acordo com a Defesa Civil, não há danos estruturais no prédio.

COMO ESTÁ A INVESTIGAÇÃO?

A apuração sobre o acidente está sendo feita pela Polícia Civil de Minas Gerais, por meio da 1ª Delegacia de Polícia Civil Leste, em conjunto com o Cenipa.

A polícia diz, em nota, que "realiza diligências com o objetivo de esclarecer os fatos e aguarda a conclusão dos laudos periciais e a juntada de documentos que irão subsidiar as investigações".

Testemunhas já estão sendo ouvidas e a polícia também irá ouvir o proprietário da aeronave, além de oficiar os órgãos competentes. "As investigações prosseguem e outras informações serão repassadas em momento oportuno", afirma a nota.