Prevista em concessão e pronta há um ano, base é ignorada pela PM na zona sul de São Paulo

Por PAULO EDUARDO DIAS

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma base de alvenaria construída em frente ao zoológico de São Paulo, na Água Funda, zona sul da capital, aguarda a presença de policiais militares há mais de um ano.

Instalada na avenida Miguel Estefno, entre a entrada do estacionamento do Zoo SP e o Parque de Ciência e Tecnologia da USP (Universidade de São Paulo), a estrutura está abandonada, sem nunca ter sido ocupada pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Conforme a concessionária Reserva Paulista Administradora de Parques S.A., foram investidos cerca de R$ 300 mil na implantação e revitalização da base. O imóvel estava previsto no contrato de concessão firmado em 2021 entre a empresa e o Governo de São Paulo.

Pronta desde fevereiro de 2025, a base permanece com as portas de vidro fechadas. Do lado de dentro há uma mesa e algumas cadeiras, sem qualquer vestígio de presença humana. Do lado de fora, na fachada, uma placa traz o logotipo da corporação e o telefone 190.

À Folha a concessionária afirmou ter comunicado a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), a Secretaria de Parcerias em Investimentos, o Comando da Polícia Militar da região e a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) sobre a conclusão da obra e a ausência de ocupação do espaço.

"A ocupação e a operação da base dependem de providências dos órgãos de segurança pública e não são de responsabilidade da concessionária, que permanece à disposição para colaborar com as autoridades e viabilizar o uso da estrutura, considerada um reforço relevante para a segurança da região", disse a Reserva Paulista.

Em nota, a Secretaria de Parcerias em Investimentos do estado disse que, no âmbito da concessão do zoológico de São Paulo, a obrigação contratual referente à implantação da base da Polícia Militar foi cumprida pela concessionária, conforme previsto. "A etapa de ocupação e operação do espaço envolve planejamento e critérios técnicos próprios das áreas responsáveis pela segurança pública."

Já pasta de Segurança Pública informou que a eventual utilização de bases da Polícia Militar segue critérios técnicos, operacionais e logísticos, definidos a partir do planejamento estratégico da corporação, com foco na melhor alocação dos recursos disponíveis e no atendimento das demandas da população.

"No caso da estrutura localizada nas imediações do zoológico de São Paulo, a edificação foi construída pelo consórcio responsável pela concessão e sua ocupação está em análise e avaliação técnica, que considera, entre outros fatores, a disponibilidade de efetivo e a priorização de áreas com maior demanda".

A SSP afirmou que o policiamento na região é realizado de forma contínua por meio de patrulhamento ostensivo, com apoio de diferentes modalidades operacionais. "Além disso, há estudo em andamento para reforço da presença policial por meio da Atividade Delegada, com ampliação do efetivo em pontos estratégicos do entorno, visando aprimorar a segurança de frequentadores e moradores."

Pelo zoológico passam cerca de 1 milhão de pessoas por ano ?aproximadamente 20 mil em um sábado ou domingo de sol?, entre turistas de diversos localidades e moradores da capital.

Pela área ainda circulam pedestres que caminham ou correm diariamente no entorno do Parque do Estado, além de veículos que utilizam a avenida Miguel Estéfano em direção à avenida do Cursino ou rumo a cidades vizinhas como Diadema e São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Na ausência da PM, é a GCM que por vezes se faz presente no local do lado de fora, com viaturas e equipes posicionadas para coibir ambulantes que permanecem no ponto, vendendo pelúcias de animais, binóculos de brinquedo, água e refrigerante.