Grupo que traficava cocaína em cargas de café que saíam do Rio é alvo da PF

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Membros de um esquema que usava exportações de café para ocultar o envio de cocaína ao exterior a partir do Porto do Rio de Janeiro são alvos de uma operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (7).

Agentes cumpriram três mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão em quatro estados. As ações da operação Off-Grade Coffee ocorreram no Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo, contra investigados apontados como centrais na organização criminosa.

Os alvos dos mandados de prisão preventiva estavam nas cidades de Santos (SP); Vila Velha (ES) e em uma cidade de Minas Gerais que não teve o nome divulgado. Os mandados de busca foram cumpridos na cidade do Rio, em Búzios (RJ), Guarapari (ES), Vila Velha (ES), Santos e Munhuaçu (MG).

Outros alvos foram submetidos a medidas cautelares, sem prisão, determinadas pela Justiça. Entre as restrições estão proibição de contato entre envolvidos, limitação de deslocamento e monitoramento eletrônico, informou a PF.

A apuração começou após a apreensão de cerca de 1,2 tonelada de cocaína em um contêiner com sacas de café. A carga tinha a Alemanha como destino e foi interceptada em junho de 2025, segundo a Polícia Federal.

Investigação aponta que o grupo simulava operações comerciais regulares para viabilizar o envio da droga. A PF diz que o esquema usava empresas de fachada, laranjas e transações financeiras para esconder a origem do dinheiro e permitir a inserção da cocaína nas cargas exportadas.

Esquema tinha divisão de tarefas, com liderança responsável por negociações, dinheiro e logística, segundo as investigações. Outros integrantes, de acordo com a investigação, atuavam na intermediação comercial, no fornecimento de empresas e no controle do carregamento dos contêineres.

Para dificultar o rastreamento de valores, grupo lavava dinheiro com transferências bancárias. A corporação afirma que recursos de atividades ilícitas teriam sido usados para financiar a operação e sustentar o esquema.

Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PF também cita a possibilidade de imputação de falsidade ideológica e de outros delitos que venham a ser identificados ao longo das investigações.

A operação é tratada pela PF como desdobramento da Missão Redentor II, ligada à ADPF 635. Segundo a corporação, a ação busca prender lideranças do crime organizado e enfraquecer financeiramente as organizações ao bloquear rotas logísticas usadas no escoamento de drogas.