Empresária do MA suspeita de agredir e torturar empregada grávida é presa no Piauí

Por FRANCISCO LIMA NETO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica grávida, no Maranhão, foi presa na madrugada desta quinta-feira (7), no Piauí.

Segundo a SSP (Secretaria de Estado da Segurança Pública) do Maranhão, ela tentava fugir no momento em que foi detida, em Teresina.

Nathaly Moraes Silva, advogada que defenda a empresária, afirmou que ela não estava fugindo, e que se apresentaria em Teresina, onde tem família.

"Ela se apresentaria fora do estado porque tem recebido várias ameaças e porque é um caso que causou grande comoção. Ela ia deixar o filho com a família em Teresina, já que ela não tem família no Maranhão", afirmou.

A defensora também disse que Carolina não alega inocência.

"Ela admite lesão corporal, mas não tortura. E nos áudios ela acaba falando coisas que ela não fez. É a postura, o comportamento dela ser assim", afirmou.

Nathaly afirmou que vai entrar com pedido de habeas corpus para que ela cumpra prisão domiciliar.

A Justiça do Maranhão decretou, na noite de quarta-feira (6), a prisão preventiva (sem prazo) da empresária, após pedido da Polícia Civil, que classificou o episódio como grave, apontando "violência física reiterada, suposto uso de arma de fogo, agressões contra vítima gestante, intensa violência psicológica, ameaças de morte, restrição da capacidade de defesa da vítima e indícios de planejamento prévio dos crimes".

A ação para prendê-la envolveu agentes do Piauí e do Maranhão.

A Justiça também acatou pedido do delegado Walter Wanderley, responsável pela investigação, para busca e apreensão domiciliar, e desbloqueio e extração de dados de aparelhos eletrônicos ligados à empresária.

Na decisão, a Justiça ainda destaca que a prisão é necessária para "para garantir a proteção da vítima, preservar a ordem pública e assegurar o regular andamento da investigação e do processo".

Um policial militar citado nas denúncias também foi preso em São Luís. Segundo a PM, ele responde a procedimento instaurado pela Corregedoria da corporação para apuração de sua conduta e responsabilidade no caso, diz a SSP.

ENTENDA O CASO

Carolina Sthela Ferreira dos Anjos é investigada sob suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica de 19 anos, grávida, que trabalhava em sua casa, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luis, havia 15 dias.

As agressões teriam sido cometidas no dia 17, de acordo com a polícia. Na ocasião, Carolina acusou a empregada de ter roubado um anel. Ela enviou áudios a grupos de mensagens detalhando as violências que cometeu, revelados pela TV Mirante, afiliada da TV Globo.

Segundo o próprio relato, a empresária contou com a ajuda de um homem armado para agredir e torturar a jovem.

A empregada, que não será identificada, afirmou à polícia que as agressões começaram com puxões de cabelo, tapas, murros, e que foi derrubada no chão.

Caída, ela diz ter protegido a barriga contra os chutes, mas outras partes do corpo foram atingidas por chute, deixando-a com diversos hematomas.

"Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo", afirmou Carolina nos áudios.

A investigada contou que o homem ainda colocou a arma na cabeça e na boca da empregada.

Mesmo com o anel tendo sido encontrado dentro de um cesto de roupa suja, as agressões continuaram, segundo relato da empresária.

"Aí na hora que ela abre o cesto de roupa suja, que ela puxa, o anel cai. Ah, gente. Nessa hora, meu Deus, a Carol dos velhos tempos voltou, assim, floresceu. Dei tanto nessa mulher, eu dei tanto, que até hoje minha mão tá aqui inchada", contou a empresária nos áudios.

A jovem registrou boletim de ocorrência e passou por exames no IML (Instituto Médico Legal), que comprovaram as agressões.

A empresária contou nos áudios que a Polícia Militar foi até a casa dela, mas que não a levou para a delegacia porque um dos agentes a conhecia.

"Sorte minha, né? E sorte dela também. Eu expliquei pra ele o que tinha acontecido. Aí, ele disse: 'Carol, se não fosse eu, eu tinha que te conduzir para a delegacia porque ela tá cheia de hematoma'", contou.

Walter Wanderley, delegado responsável pela investigação, disse à TV Mirante que os áudios já estão anexados ao inquérito, na 21ª delegacia do bairro Araçagy.

"Está comprovado que ela foi agredida. Agora, não existe autoria mais patente do que o próprio agressor confessar. E o áudio, que a polícia já está de posse, já está apreendido. É uma prova incontestável também da autoria da agressão", afirmou o delegado.