Justiça concede liberdade a empresário da produtora Love Funk investigado em operação da PF
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como Rato, dono da produtora Love Funk, foi solto após o TRF3 (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região, lhe conceder um habeas corpus, na segunda-feira (11).
Ele é investigado por supostamente fazer parte de uma organização criminosa de lavagem de dinheiro de jogos e rifas ilegais, e foi preso na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, em 15 de abril. A ação prendeu também MC Ryan, MC Poze, e outras dezenas de suspeitos.
A assessoria do TRF3 disse que o caso tramita em segredo de Justiça e que, por isso, não tem acesso às informações.
A defesa do empresário, a cargo dos advogados Aury Lopes Jr. e Fabiano Rufino, comemorou a decisão, em nota.
"A decisão do Tribunal acolheu os argumentos trazidos pela defesa em sede de habeas corpus e restabeleceu a liberdade de Henrique, já que a prisão se mostrava totalmente arbritária e desnecessária. Reafirma sua inocência e aguarda com tranquilidade o momento processual adequado, onde poderá se defender e provar que não praticou qualquer conduta ilícita", afirma trecho da nota publicada em rede social.
O empresário também usou as redes sociais para dizer que é inocente. Ele afirmou que foi preso sem ter feito nada.
"A única coisa que eu fiz foi pagar direitos autorais ao MC Ryan SP. Acabei ficando preso. O que vou falar de mim é que eu não fiz nada", afirmou.
"Fui preso, então, de graça, mas graças a Deus tudo foi resolvido. Estou aqui de volta e vamos agora terminar esse processo e mostrar para todo mundo que sou um cara inocente disso. A Love Funk não tem nada disso. Também não sei se tem algum culpado. Como eu tô de inocente, a maioria ou todos podem ser inocentes, estou falando por mim", afirmou.
A investigação acusa os indiciados de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A operação cumpriu 39 mandados de prisão, além de ordens de busca e apreensão e bloqueio de bens dos envolvidos.
Segundo a investigação, os recursos ilícitos tinham origem principalmente na exploração de jogos de azar não regulamentados, apostas de bets, rifas digitais clandestinas e práticas de estelionato digital. Há ainda indícios de utilização do esquema para lavar dinheiro do tráfico internacional de drogas.
MC Ryan foi apontado como líder e beneficiário do esquema de lavagem. Segundo decisão judicial no processo, que tramita na 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, o artista utiliza empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com dinheiro arrecadado com apostas ilegais e rifas digitais.
A polícia afirma que ele criou maneiras para blindar seu patrimônio, transferindo participações societárias para familiares e laranjas. Ele usaria uma rede de operadores financeiros para disfarçar sua relação com o dinheiro ilícito de apostas antes de reinvesti-lo com a compra de imóveis de luxo, veículos, joias e outros ativos de alto valor.