Alunos da USP protestam na Paulista por retomada de negociações com reitoria

Por JORGE ABREU

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os estudantes grevistas da USP (Universidade de São Paulo) protestaram, nesta quarta (13), na avenida Paulista, contra o fim das mesas de negociação com a reitoria, que segundo eles, foram encerradas de forma unilateral.

Eles pedem melhores condições de permanência na graduação, com aumento no valor das bolsas integrais do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário-mínimo paulista), e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários.

Procurada pela reportagem, a USP informou, via email, que não se pronuncia sobre protestos. A instituição, por outro lado, publicou em seu site que instituiu a Comissão de Moderação e Diálogo Institucional para novo ciclo de interlocução com a representação estudantil.

O ato partiu às 19h da frente do Masp (Museu de Artes de São Paulo), desceu a rua Augusta e seguiu em direção à praça Roosevelt. A Polícia Militar acompanha a marcha.

O protesto foi organizado pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes) da USP, com apoio de movimentos sociais. Políticos ligados à esquerda também participam do ato, como a deputada federal Samia Bomfim (PSOL-SP) e os deputados estaduais Guilherme Cortez (PSOL) e Esuardo Suplicy (PT).

"Os estudantes vieram ocupar a Paulista para reivindicar a reabertura da mesa de negociação com a reitoria, que segue nos ignorando. Já faz 13 dias que nós não temos nenhum contato com a reitoria. Tudo o que a gente sabe da posição ou da opinião da reitoria é a partir das grandes mídias", declarou Rosa Baptista, diretora da DCE Livre USP.

"A gente acha isso um absurdo, especialmente depois da violenta invasão da Polícia Militar na ocupação que nós construímos na semana passada, em que diversos estudantes saíram feridos e violentados. Foi completamente uma barbárie", acrescentou.

Sobre a ação policial, a universidade disse, anteriormente, que não havia sido informada pela PM da operação, que utilizou bombas e gás para desocupar a reitoria na madrugada de domingo (10). O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) disse que a corporação agiu "dentro da legalidade".

Entenda a greve

A greve teve início em 14 de abril, impulsionada pelo apoio dos estudantes à paralisação dos servidores, que protestavam contra uma gratificação mensal de R$ 4.500 concedida aos docentes sem contrapartida equivalente para as demais categorias.

Os trabalhadores encerraram o movimento após acordo com a reitoria, mas os discentes seguiram mobilizados.

Além do reajuste do auxílio permanência ao valor de um salário mínimo paulista, as principais reivindicações incluem melhorias nos restaurantes universitários, ampliação de políticas de cotas e melhores condições nas moradias estudantis.

Em resposta, a gestão do reitor Aluisio Segurado anunciou a criação de uma modalidade de bolsa voltada a alunos ingressantes em situação de vulnerabilidade.

A instituição também apresentou sugestões sobre os restaurantes universitários. Além da instauração de grupos para avaliar a qualidade deles, foi prometida a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.

Também foram colocadas ofertas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles seria para avaliar cotas para transexuais e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil.

Outro serviria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria após críticas.