Justiça federal manda soltar músicos MC Ryan e MC Poze do Rodo, e apreende seus passaportes
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça Federal concedeu nesta quarta-feira (13) habeas corpus e determinou a soltura dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, que estavam presos preventivamente desde 15 de abril durante a Operação Narco Fluxo, uma operação que investiga uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 1,6 bilhão por meio de lavagem de dinheiro e transações ilegais.
A desembargadora Louise Filgueiras, do TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região), em São Paulo, seguiu a decisão da 5ª turma do mesmo tribunal, que já havia libertado o empresário Henrique Alexandre Barros Viana, conhecido como Rato, outro investigado na operação.
A decisão acabou beneficiando também os demais acusados na operação: os influenciadores Chrys Dias, sua mulher, Débora Paixão, e Diogo Santos de Almeida, conhecido como Diogo 305; além de Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, e o empresário Rodrigo de Paula Morgado. A expectativa é que todos deixem a prisão nesta quinta (14).
Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, estava preso na Penitenciária 2 de Mirandópolis, no interior de São Paulo, desde o dia 30 de abril, após ser transferido do CDP (Centro de Detenção Provisória) do Belém, na zona leste da capital.
Já Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, foi preso no mesmo dia de MC Ryan SP e está no presídio José Frederico Marques, localizado em Benfica, na zona norte do Rio de Janeiro.
Na decisão desta quarta, a desembargadora argumentou que a manutenção da prisão seria desproporcional diante da demora para o oferecimento da denúncia formal, o que ainda não foi feito.
Assim, a prisão foi substituída por medidas cautelares alternativas, "preservando o princípio da presunção de inocência enquanto as perícias tecnológicas prosseguem".
As medidas cautelares que deverão ser cumpridas por todos os envolvidos são: o investigado deve entregar seu passaporte e está impedido de sair do Brasil sem autorização judicial; deve comunicar ao juízo o seu endereço correto no prazo de dez dias, assim como qualquer mudança posterior; é obrigado a estar presente em todos os atos do processo; não pode se ausentar de sua cidade de residência por mais de cinco dias sem a devida autorização judicial; e deve apresentar-se mensalmente perante a Justiça para comprovar suas atividades.
A reportagem procurou o advogado Felipe Cassimiro, que representa o artista, por meio de mensagem e telefonemas, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. Em manifestações anteriores, a defesa negou qualquer envolvimento do cantor em atividades criminosas.
A defesa de Raphael Sousa Oliveira, responsável pelo perfil Choquei, afirma em nota que a investigação não atribui a Raphael papel de liderança, coordenação ou gestão financeira de organização criminosa, tampouco demonstra participação direta em eventuais ilícitos imputados a terceiros.
A nota destaca ainda que a relação de Oliveira com os fatos investigados "decorre exclusivamente da prestação de serviços publicitários regularmente remunerados, no exercício ordinário de sua atividade profissional".
"A revogação da prisão restabelece a liberdade de Raphael e reafirma a importância do devido processo legal, da presunção de inocência e das garantias constitucionais que regem o Estado democrático de Direito", diz a defesa.
AS ACUSAÇÕES DA OPERAÇÃO NARCO FLUXO
MC Ryan foi apontado pela PF (Polícia Federal) como líder e beneficiário econômico de uma estrutura criminosa complexa para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Segundo o processo, que tramita na 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, MC Ryan utiliza empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para mesclar receitas legítimas com dinheiro arrecadado com apostas ilegais e rifas digitais.
A polícia afirma que o influenciador criou e estruturou formas para blindar seu patrimônio, transferindo participações societárias para familiares e laranjas. Ele usaria uma rede de operadores financeiros para disfarçar sua relação com o dinheiro ilícito de apostas legais.
Depois que a origem dos valores era dissimulada, ainda segundo a PF, o dinheiro era reinvestido na economia formal por meio da compra de imóveis de luxo, veículos, joias e outros ativos de alto valor.
Entre os operadores financeiros está o contador Rodrigo de Paula Morgado, preso na Operação Narco Bet em outubro de 2025, que também deve ser beneficiado pela decisão do TRF-3. Ele é apontado como contador e operador-chave do grupo, articulando transferências bancárias, auxiliando no processo de proteção patrimonial do MC Ryan.
Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, aparece na investigação como um dos vinculados a empresas relacionadas à movimentação do dinheiro que vinha de rifas digitais e apostas.