Moradores do Jaguaré criticam exigência de orçamentos para reparos após explosão, e Sabesp revê medida

Por BÁRBARA SÁ

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Famílias afetadas pela explosão no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, relatam dificuldades para iniciar reparos nas casas três dias após o acidente que matou um homem e deixou outros três feridos.

Moradores afirmam ter sido orientados a apresentar três orçamentos diferentes de pedreiros com CNPJ para conseguir o ressarcimento dos danos. "Eu explodo a sua casa e agora a burocracia é com você", resumiu uma moradora durante reunião com concessionárias.

A Sabesp informou nesta quinta-feira (14) que houve uma "confusão" na comunicação com os moradores e afirmou que não será necessário apresentar os três orçamentos para realização dos reparos.

A aposentada Aparecida Rosa dos Santos afirma que recebeu a orientação para apresentar três orçamentos diferentes com profissionais registrados, mas diz que não consegue encontrar pedreiros com CNPJ.

"Ficou complicado para mim. Conheço muitos pedreiros, mas eles não têm CNPJ", afirmou.

Ela conta que, com o passar dos dias, surgiram novos danos na casa além dos identificados inicialmente pela Defesa Civil. O que parecia apenas uma janela quebrada e algumas telhas danificadas passou a incluir problemas no telhado e rachaduras.

"Para eles é dano pequeno, mas para mim, que não tenho condições, é muito", disse. "Até agora está só muita conversa."

Aparecida também afirma que ainda não recebeu o auxílio emergencial prometido às famílias atingidas.

"Todo dia falam que vai cair tal hora, tal hora, e nunca cai", afirmou. "Na TV está dando que todo mundo já foi ressarcido, mas não está."

O aposentado Gilberto Rocha Souza está hospedado em um hotel desde a explosão após ter o telhado da casa destruído. A residência foi classificada como laranja pela Defesa Civil, categoria que indica necessidade de reparos estruturais.

"Eles falaram para fazer três orçamentos", afirmou Rocha Souza. "Mas, na situação que está, procurar pedreiro é complicado."

Rocha Souza diz que ainda tenta entender a dimensão dos prejuízos dentro de casa, já que os eletrodomésticos ficaram dias sem energia.

"Eu não sei nem se meus eletrodomésticos estão funcionando ainda", disse.

Outra moradora, Caroline Gonçalves, afirma que a família recebeu prazo de dez dias para apresentar os documentos enquanto tenta lidar com rachaduras e risco estrutural no imóvel.

"A gente está correndo atrás de resolver o básico", afirmou Gonçalves. "Imagina fazer três orçamentos de uma casa praticamente destruída."

Ela relata que técnicos do IPT identificaram comprometimento na fundação do imóvel após novas vistorias. A moradora diz que o solo estaria cedendo por causa de vazamento de água na região.

"Todos eles entram e falam para não encostar na parede", contou. "Mas dizem que a gente pode continuar lá dentro."

Após as reclamações dos moradores, a diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, Samanta Souza, afirmou que a orientação fazia parte de um formulário padrão utilizado pela companhia em outros atendimentos e que a exigência foi dispensada no Jaguaré.

"O padrão adotado quando existe um sinistro em outros locais é esse e provavelmente deve ter havido essa confusão", afirmou Souza. "Não é necessário fazer os três orçamentos."

Souza afirmou que a dispensa vale tanto para reformas estruturais das casas quanto para danos envolvendo móveis e eletrodomésticos atingidos pela explosão.

A executiva afirmou ainda que equipes contratadas pela companhia já realizam reparos em imóveis classificados pela Defesa Civil como verdes e amarelos.

A explosão ocorreu na tarde de segunda-feira (11), durante uma obra realizada pela Sabesp em uma área com rede compartilhada da Comgás, no Jaguaré. O acidente matou o segurança Alex Sandro Fernandes Nunes, 49, e deixou outras três pessoas feridas. Uma vítima já recebeu alta, enquanto duas seguem internadas.