Aumenta a probabilidade do El Niño começar até julho, mas intensidade ainda é incerta
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - À medida que as águas do oceano Pacífico se aquecem, a possibilidade de El Niño nos próximos meses ganha força.
A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Noaa, em inglês), agência climática dos Estados Unidos, divulgou nesta quinta-feira (14) a atualização mensal da sua previsão: subiu de 61% para 82% a probabilidade do fenômeno emergir até julho. Também há 96% de chance de que ele se estenda até fevereiro de 2027, elevando as temperaturas do verão brasileiro.
El Niño e La Niña são fases opostas da Oscilação Sul-El Niño (Enso, na sigla em inglês), um dos padrões climáticos mais poderosos da Terra. Esse sistema muda padrões de ventos, pressão e precipitações.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento das temperaturas da superfície do oceano no Pacífico Equatorial acima da média histórica. O monitoramento da Noaa na região detectou que as águas abaixo da superfície esquentaram pelo sexto mês consecutivo e que anomalias de ventos já vêm sendo observadas.
Apesar de menções constantes na imprensa e nas redes sociais a um "super El Niño", a Noaa ressalta que ainda é cedo para determinar quão forte ele será. "Embora a confiança na ocorrência do El Niño tenha aumentado desde o mês passado, ainda existe uma incerteza substancial quanto à intensidade máxima do fenômeno", diz o comunicado.
"Os eventos de El Niño mais intensos registrados historicamente são caracterizados por uma união significativa entre o oceano e a atmosfera durante o verão [do hemisfério norte, que começa em junho], e resta saber se isso ocorrerá em 2026."
Segundo as previsões da Noaa, há 37% de chance de ocorrência de um El Niño muito forte no trimestre que vai de novembro a janeiro ?mas também há 30% de chance de um fenômeno apenas forte e 22% de um El Niño moderado no mesmo período.
A agência pondera, ainda, que El Niños numericamente mais intensos não são uma garantia de impactos fortes. "Eles apenas podem tornar certos impactos mais prováveis", acrescenta.
No Brasil, o fenômeno normalmente intensifica a estiagem nas regiões Norte e Nordeste e aumenta os acúmulos de chuva no Sul.
Em nível global, está geralmente associado ao aumento das chuvas em partes do sul da América do Sul, sul dos Estados Unidos, Chifre da África e Ásia Central, e à seca na Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia.
EL NIÑO E AQUECIMENTO GLOBAL
Não há evidências de que as mudanças climáticas aumentem a frequência ou intensidade dos eventos de El Niño. No entanto, o excesso de calor na atmosfera pode amplificar os impactos associados ao fenômeno.
O aquecimento global afetou, porém, a medição do fenômeno. No início do ano, a Noaa anunciou uma revisão nos seus parâmetros que medem o Enso.
O método antigo media as anomalias (variações fora da média) da temperatura da superfície do mar em termos absolutos. O novo subtrai a anomalia média de temperatura de toda a faixa tropical da Terra da medição regional ?ou seja, calcula se é realmente só a região central do Pacífico que está mais quente ou se a temperatura dali apenas reflete o quadro global.
Na prática, a nova técnica "desconta" o calor excessivo do oceano provocado pela mudança climática dos resultados, aumentando a precisão da medição.