Espuma cobre o Tietê em Salto, e Cetesb diz monitorar o problema

Por ANDRÉ FLEURY MORAES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O trecho do Tietê que cruza o município de Salto, no interior de São Paulo, está desde quarta-feira (13) coberto por uma espuma causada pelo lançamento de produtos tóxicos no leito do rio sem que passem por tratamento prévio.

Em nota, a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) disse monitorar a situação e afirmou que promove fiscalização contínua na região. Segundo o órgão, "o período de estiagem registrado nos últimos dias, seguido pelas chuvas ocorridas no domingo (10), contribuiu para o aumento da vazão da água no Tietê".

No caso de Salto, declarou, pontos do rio com grande movimentação de água "pode favorecer a formação de espuma em alguns trechos".

O problema ocorre todo ano, afirmou a administração do município, e só deixaria de acontecer "se as cidades da Grande São Paulo cessassem o lançamento de poluição no rio".

"A espuma é resultado da carga de poluição lançada no rio na região metropolitana da capital. O despejo de resíduos de detergentes e matéria orgânica sem tratamento produz essa espuma ao chegar nas quedas d'água em Salto", declarou.

O município disse monitorar a situação e afirmou que "vem participando de reuniões nos Comitês da Bacia e demais grupos organizados que estão discutindo soluções para a melhoria da qualidade das águas do rio, tão importante para o estado de São Paulo".

Com 1.100 km de extensão, o Tietê é o maior rio de todo o território paulista e sofre com o despejo de matéria orgânica e produtos químicos sem tratamento há décadas. Ele nasce em Salesópolis e vai até Itapura, onde deságua no rio Paraná.

A falta de oxigênio da água dificulta a degradação do detergente doméstico. O problema poderia ser solucionado com a implantação de sistemas adequados de esgotamento sanitário, incluindo a coleta, afastamento, tratamento e disposição final dos esgotos domésticos.

A ONG (Organização Não Governamental) SOS Mata Atlântica monitora a situação do rio. No ano passado, relatório divulgado pela entidade mostrou que a mancha de poluição no Tietê caiu 16% na comparação com o ano anterior, mas segue em patamar alto.

Foram 207 quilômetros de poluição registrados em 2024 e 174 quilômetros no ano seguinte, 2025. A queda veio após dois anos seguidos de aumento na mancha de poluição.