Polícia abre inquérito contra estudantes que invadiram reitoria da USP

Por BRUNO LUCCA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um inquérito foi instaurado no 93º Distrito Policial para investigar os estudantes que invadiram a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) durante três dias, na última semana. O prédio foi esvaziado após ação da Polícia Militar, na madrugada de domingo (11), com uso de gás lacrimogêneo e formação de um "corredor polonês" para golpes de cacetete.

O caso foi classificado como dano ao patrimônio público, crime previsto no Artigo 163 do Código Penal, com pena de 6 meses a 3 anos de detenção e multa.

Durante a desocupação, os agentes apreendem diversos itens pessoais dos alunos. Dentre eles, eletrônicos (notebooks, celulares, etc.).

Em nota, a SSP (Secretaria da Segurança Pública) diz que os itens foram encaminhados para perícia no Instituto de Criminalística. "A autoridade policial deverá representar judicialmente pela quebra de sigilo telefônico, com o objetivo de identificar elementos que possam comprovar a prática de crimes, como dano, invasão mediante violência ou outros delitos correlatos", diz a pasta.

OL ESTUDANTES

A invasão da reitoria da USP ocorreu na quinta-feira (7). Desde a madrugada daquele dia, os grevistas faziam um ato em frente ao prédio na tentativa de dialogar com a gestão de Aluisio Segurado, que dias antes havia encerrado as discussões sobre as demandas estudantis.

Por volta das 16h, o espaço foi tomado. Os estudantes pularam, depois derrubaram um gradil para chegar ao acesso da unidade, que estava trancado e foi tombado aos chutes.

A reitoria ficou ocupada até a madrugada de domingo, quando a polícia fez uma ação para retirar os invasores. Segundo os alunos, ao menos cinco pessoas ficaram feridas. A SSP nega que os alunos tenham sido machucados e diz apurar eventuais excessos. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) apoiou o trabalho da corporação.

Depois do caso, a USP disse não ter sido informada previamente sobre a operação e lamentou a violência.

O caso serviu como combustível à greve dos estudantes. Após propostas da instituição para reajustar o valor do auxílio estudantil, o movimento vinha perdendo força.