Nível do sistema Cantareira continua em queda e opera com 41,3% de seu volume
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Desde o dia 9 de abril, há uma diminuição constante das águas do sistema Cantareira, atingindo nesta quinta-feira (14) apenas 41,3% do seu volume total, o que mantém o nível mais baixo desde a grande crise hídrica de 2014-2015.
Nesse período, o nível do principal reservatório de água da região metropolitana de São Paulo, representando cerca de metade de todo o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), caiu 2,5 pontos percentuais. O SIM, por sua vez, caiu 3,1 pontos percentuais (de 56,5% para 53,4%).
A falta de chuva e a respectiva queda no Cantareira impacta todo o SIM, que é composto por outros seis sistemas: Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.
De acordo com o levantamento da Sabesp, responsável pelo abastecimento de água do estado, choveu apenas 23,6 mm neste mês de maio nos reservatórios que compõem o sistema Cantareira (Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), frente a uma média histórica de 72,6 mm.
A baixa dos níveis dos mananciais já era esperada, devido à chegada do período de estiagem no Sudeste, que vai do outono até o início da primavera, em setembro. Nesta época, as chuvas que chegam não são suficientes para repor o volume gasto, o que provoca uma queda constante.
A situação do SIM e, principalmente, do Cantareira, poderia estar pior não fossem as ações tomadas pelos órgãos governamentais e pela Sabesp, a empresa responsável pelo abastecimento no estado.
Desde a grande crise hídrica de 2014-2015, a Sabesp tem realizado obras para aumentar a segurança hídrica da região, como a integração entre sistemas produtores, reforçando a capacidade de transferência de água entre regiões, modernizando redes e intensificando o combate a perdas.
Naquela época, essas ações não existiam, o que fez com que o sistema Cantareira operasse no volume morto, usando a água que fica abaixo dos tubos de captação da Sabesp. Essa porção de água, que precisa ser bombeada, teve que ser usada pela primeira vez na história.
Após a recuperação do sistema, a partir de 2016, a companhia passou a realizar as obras para evitar que crise igual voltasse a ocorrer. Não ocorreu, mas desde 2023 o nível tanto do SIM quanto do Cantareira têm baixado progressivamente, ligando o alerta nas autoridades.
A última ação para ajudar a manter os mananciais foi tomada em agosto do ano passado, quando a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) determinou a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em dez horas, das 19h às 5h.
Mesmo com a melhora dos níveis dos reservatórios em março último, a agência decidiu manter a redução, uma vez que o volume não havia se recuperado totalmente e a estação seca estava pela frente.
A Sabesp informa que, de 27 de agosto até abril, foram economizados 138,73 bilhões de litros de água na região metropolitana de São Paulo, volume suficiente para garantir o abastecimento de 24,34 milhões de pessoas durante um mês.