Pescadores capturam mais de 11 mil tainhas após noite inteira no mar em SC

Por Folhapress

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Uma captura de mais de 11 mil tainhas movimentou pescadores e moradores da praia de Cima, em Palhoça, na Grande Florianópolis, nesta semana. O mega lanço foi realizado após uma madrugada inteira de monitoramento do cardume.

Segundo os pescadores, foram retiradas cerca de 16 toneladas de peixe do mar. A operação começou ainda na noite de domingo (17) e atravessou a madrugada até o início da manhã de segunda-feira (18), quando o cardume finalmente foi cercado próximo da areia.

A captura foi considerada uma das maiores da temporada até agora em Santa Catarina.

Trabalho exigiu horas de observação e coordenação entre os pescadores. Sem uso de drones ou tecnologias avançadas, o grupo acompanhou o deslocamento das tainhas durante toda a noite, tentando conduzir o cardume para uma área rasa, estratégia conhecida entre os pescadores como "secar" o peixe. "De manhã deu certo", contou o pescador Denir Matos, 71, em entrevista à NDTV.

Pesca artesanal da tainha é uma tradição histórica em Santa Catarina. Envolve não apenas pescadores, mas famílias inteiras e comunidades costeiras. Nos ranchos espalhados pelas praias, o período da safra costuma reunir moradores em torno da vigília, do preparo das redes e da divisão do pescado.

Atividade representa um patrimônio cultural catarinense transmitido entre gerações. A própria Secretaria de Estado da Comunicação de Santa Catarina emitiu um comunicado oficial no início da safra, no início deste mês, detalhando como devem ser os trabalhos.

"Em Santa Catarina, foram emitidas 419 licenças para essa modalidade, reforçando sua importância social e econômica no estado. Já o cerco/traineira terá limite de 720 toneladas, com operação também na Zona Econômica Exclusiva. Foram credenciadas 15 embarcações industriais nessa modalidade, e a cota será dividida entre elas, resultando em 48 toneladas por embarcação", disse o governo de SC, em nota.

Safra de 2026 começou com expectativa positiva. Antes mesmo do início oficial da temporada, técnicos da Epagri e do Ciram já indicavam condições favoráveis para a chegada dos cardumes ao litoral catarinense. Os especialistas explicaram que a atuação persistente do vento sul e a diferença de temperatura entre o litoral catarinense e o estuário da Bacia do Prata favoreceriam o deslocamento das tainhas rumo ao estado.

Temperatura da superfície do mar na costa catarinense estava entre 22°C e 25°C. Já na região do Prata, girava em torno de 18°C. Esse contraste ajuda a impulsionar a migração dos peixes.

"O que determinará uma boa safra de tainha será a frequência dos fenômenos meteorológicos e oceanográficos durante o período da pesca", disse o Epagri/Ciram, em nota.

Safra de 2026 também começou sob novas regras federais para a atividade pesqueira. Uma portaria conjunta do Ministério da Pesca e Aquicultura e do Ministério do Meio Ambiente ampliou em cerca de 20% o limite total de captura da tainha em relação às temporadas anteriores. Para o arrasto de praia, modalidade mais ligada à pesca artesanal, a cota foi definida em 1.332 toneladas.

"Os pescadores artesanais estão nos ranchos de praia que é a modalidade mais tradicional que envolve mais cultura e a tradição da pesca da tainha no nosso estado", disse Fabiano Müller, secretário estadual de Aquicultura e Pesca.

Além do volume impressionante, o tamanho das tainhas chamou atenção dos pescadores da praia de Cima. Segundo relatos da comunidade, muitos peixes ultrapassaram um quilo e meio, acima da média registrada em outros momentos da safra.