MP pede que TCU investigue infiltração do PCC em prefeituras de SP
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu à Corte a apuração de uma suposta infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em órgãos públicos do estado de São Paulo.
O documento entregue no último dia 7 pelo procurador Lucas Rocha Furtado se baseia em uma operação deflagrada pela Polícia Civil em abril deste ano. A Operação Contaminatio prendeu seis pessoas e bloqueou R$ 513,6 milhões.
Pedido será analisado pelo ministro Benjamin Zymler. "O que emerge é um modelo organizado, com planejamento, articulação política e execução em múltiplas cidades, no qual o crime organizado deixa de atuar apenas nas sombras e passa a disputar espaço dentro do sistema", diz o texto. Até o momento, não há decisão do Tribunal nem documentos públicos sobre o caso.
A investigação apontada no inquérito apurou reuniões e articulações entre membros do PCC e prefeituras do interior de São Paulo. O caso é um desdobramento da Operação Decurio (2024), que identificou o uso de uma fintech para lavagem de dinheiro da facção em campanhas municipais.
As reuniões entre membros do PCC e representantes das prefeituras teriam ocorrido principalmente ao longo de 2021. Relatórios da facção também mencionam tentativas de agenda com autoridades do governo estadual. A informação é mencionada no inquérito do MP ao TCU, que afirma que "o plano de ação ora em análise revela um novo patamar: a tentativa
de operar diretamente dentro da estrutura pública".
Em resposta ao UOL, o governo de São Paulo destacou que "a representação do MP junto ao TCU se refere a episódios anteriores à atual gestão". Já o ex-governador João Doria disse ao UOL, em abril, que "nunca houve reunião nem tentativa de agendamento" e que desconhece contatos com integrantes do governo à época.